Resenha: Logo,Logo: Dez novas tecnologias que vão melhorar e/ou arruinar tudo

14 abril



Autor: Kelly e Zach Weinersmith
Editora: Intrínseca
Avaliação: 5/5 estrelas
Páginas: 382


Caríssimos leitores, visitantes e demais. Por causa da grande mudança da minha vida, acabei por não ter conseguido ainda organizar a minha rotina para escrever aqui para vocês na frequência que eu gostaria.

Dito isso, trago hoje para vocês uma resenha de um livro um tanto diferente das resenhas padrão e confesso que é este o tipo de assunto que mais me inspira vontade de escrever/falar/discutir.

É importante que eu diga que, ocasionalmente eu me encontro em algum evento ou loja que vende livros a preços abaixo do mercado (festa do livro da USP, bienal, feira do livro, etc.), e nestas ocasiões eu geralmente compro algum livro que não estava namorando há algum tempo, algum livro que nunca havia visto antes, me limitando a ler a breve descrição de capa traseira. E em setembro deste ano foi isso que aconteceu com o livro Logo, Logo. Estava de férias passeando em um shopping, quando surge uma loja de livros em que qualquer livro custava 10 reais.Os títulos disponíveis não eram muitos (e geralmente nestes lugares são pontas de estoque ou livros de sequência que nunca tem o livro 1 disponível). Por sorte encontramos (eu e a Carol) os 3 primeiros livros da Mulher Maravilha escritos pelo George Perez e para eu não sair sem nenhum livrinho deste lugar mágico, decidi comprar o Logo, Logo.

É engraçado como nossas paixões nos levam a fazer certas coisas: A paixão pelos livros nos faz comprar livros que a princípio não "queríamos" e a paixão por certos assuntos nos fazem passar essas leituras na frente de outros tantos na fila.

Assim, comecei a jornada deste livro maravilhoso que trata sobre tecnologias emergentes que podem ou não vir a acontecer e que podem (ou não) mudar drasticamente a nossa forma de pensar e viver como sociedade.

Não se engane, Logo Logo não é um livro de futurologia. Ele não se propõe a prever o que vai ou não existir ou acontecer daqui a 5, 10 ou 50 anos. Este livro trás um panorama geral (com certo aprofundamento) sobre pesquisas e tecnologias que podem mudar completamente a vida das pessoas (ninguém disse que seria para melhor, ok?).

Não estranhe a piada de humor ácido com um toque de ironia acima, é este o tom do livro todo o tempo. Isso porque é um livro escrito por Kelly Weinersmith e desenhado por Zach Weinersmith. Kelly é pesquisadora da Universidade de Rice, e por isso o livro é muito bem organizado como um trabalho científico deveria ser (com referências a artigos científicos, consulta e entrevista com os maiores expoentes de cada tecnologia  de cada capítulo, índice remissivo, dentre outras coisas). Zach é um cartunista/quadrinista, ajudando Kelly (e nós leitores) a ter uma experiência literária muito educativa e ainda assim divertida (acredite, é possível) com suas tirinhas com as piadas ácidas, sombrias, irônicas e bastante nerds.

O livro aborda do macro ao micro, passando por temas como acesso barato ao espaço, mineração em asteróides, realidade aumentada, construção robótica, biologia sintética, energia de fusão, medicina de precisão, bioimpressão e interfaces cérebro-computador.

Entre o elevadores espaciais, baldes de coisas, impressoras 3D e minirobôs com comportamento de colmeia (hive mind), encontramos em cada capítulo diversas abordagens que tentam resolver o mesmo problema/desafio, sempre explicando de forma clara como funciona o método, depois abordando as preocupações, como isso mudaria o mundo, e/ou em que pé estamos agora. 

Sendo um pouco imparcial, é claro que há aqui alguns trechos que se tornam cansativos (ou por não gostar de um tema em si, ou pelo caráter muito técnico ou complexidade do mesmo), mas no geral, para pessoas que tem uma curiosidade científica e tecnológica grande, este livro é um parque de diversões maravilhoso.

Os autores, em sua maravilhosa visão de nerds/pesquisadores/cientistas nos compensam estes momentos cansativos e muito tecnicos com notas bene em cada capítulo em que são explanadas as descobertas/abordagens mais loucas, absurdas ou estranhamente ridículas daquele capítulo.

Há ainda um monte de easter eggs neste livro, sendo alguns deles encontrados no site do mesmo (www.soonishbook.com) e um capítulo final que é o cemitério de capítulos perdidos (ideias para capítulos do livro que morreram antes da edição final, em que são abordados os temas brevemente e explicados os motivos de o capítulo não existir no livro).

Resumindo, para curiosos amantes da ciência e da tecnologia, que amam descobrir coisas novas e malucas que os seres humanos mais brilhantes do mundo (os cientistas) estão trabalhando para tentar resolver os problemas de hoje, este livro é simplesmente fantástico. Dê uma chance para este livro, você vai expandir de uma forma gigantesca seus horizontes.

Se você ainda assim, não se convenceu (e se você lê em inglês) dê uma passadinha no site do livro que talvez você mude de ideia.

Sem mais para esta resenha, agradeço a você que leu até aqui e que, como eu, é um entusiasta das tecnologias emergentes. Até a próxima.


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Stephen King

Resenha: Achados e Perdidos

01 outubro



Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Avaliação: 4,5/5 estrelas
Páginas: 352

Estamos de volta com a rádio King. Na programação de hoje temos Achados e Perdidos, parte 2 da trilogia Bill Hodges.

Como no primeiro livro, o capítulo de abertura é um ambiente isolado (mas relacionado) do restante da trama. Por um momento (um longo momento) você vai achar que achados e perdidos não tem nada a ver com Mr. Mercedes, e não tem mesmo.

Logo de ínicio, é 1978 e temos uma invasão domiciliar numa região mais rural, protagonizada por 3 jovens em roupas de esqui na casa de um escritor famoso que é muito recluso. John Rothstein é um best seller do The New Yorker devido ao sucesso dos livros de Jimmy Gold, que acha que os jovens que invadiram sua casa estavam apenas procurando dinheiro fácil. Mas ele estava enganado porque, a exemplo do que acontece em Misery, o fã número 1 de John Rothstein orquestrou a invasão visando justamente os escritos inéditos que imaginava que John Rothstein havia produzido ao longo dos 10 anos desde a última publicação.

Morris Bellamy foi mantido em um reformatório durante a adolescência justamente por invasão de domicílio e, após ser liberado por completar maioridade, resolveu invadir a casa do seu escritor favorito porque estava insatisfeito com o destino que Jimmy Gold havia tomado no terceiro livro da trilogia.

Após encontrar o dinheiro e os livros, um ato terrível é cometido e Bellamy foge com os espólios, sem ser descoberto pelo seu crime. Ele procura um antigo amigo que havia indicado que os livros inéditos valeriam muito no mercado de colecionadores, mas este mesmo amigo se mostra nervoso e desesperado quando Morris conta o que fez.

Assim, só resta ao Morris paranóico esconder o dinheiro e os livros. Mas ele sai de si e acaba preso, não por causa de Rothstein mas de um estupro.

2010 - Uma das famílias que sofreram com o ato do Assassino do Mercedes (livro 1) é a de Peter Saubers, que curiosamente mora na mesma casa que Morris morava antes de ser preso. As coisas não andam bem desde que o pai de Peter ficou aleijado devido ao massacre do City Center: Ele não consegue trabalhar, briga com a esposa e falta renda para a família. Por acaso, Peter encontra um tesouro escondido no fundo de casa, um tesouro que pode salvar a família da ruína.

A história fica alternando entre a infância e juventude de Peter Saubers com o dinheiro e livros achados e os anos de força e virilidade de Morris Bellamy perdidos na prisão, sem nenhuma menção do livro 1, exceto pelo fato de o pai de Peter ter sido vítima da primeira tragédia.

Entretanto, as coisas não estão para ficar assim porque o dinheiro encontrado está para acabar, mas os gastos da família Saubers não, e com isso Peter precisará tomar atitudes mais ousadas para ajudar a família, colocando em risco muitas vidas.

É aí que entram nossos queridos detetive aposentado Bill Hodges e sua fiel ajudante Holly Gibney.
Eles surgem para ajudar Peter e daí para frente o livro acelera de uma forma impressionante.

Uma das coisas curiosas desta trilogia é que King revisita diversos de seus sucessos: Em Mr. Mercedes ele faz jus aos seus livros de carros assassinos, já em Achados e Perdidos há uma remontagem clara de Misery, com o fã obcecado pelo protagonista de forma que quer obrigar o autor a escrevê-lo como ele gostaria que fosse.

Outro ponto chave é que livros do mestre King geralmente começam lentos e quase entediantes mas tendem a acelerar ao longo da leitura, chegando em um ponto em que é quase impossível parar de ler de tanta emoção e curiosidade. A trilogia não fica para trás: Na verdade ela acelera mais rápido do que a maioria dos livros dele e acaba sendo uma leitura muito rápida e empolgante. 

Por último: As coisas acontecem... Pode até parecer que inventaram isso hoje (As Crônicas de Gelo e Fogo por exemplo) mas neste livro, as coisas acontecem. Pessoas importantes morrem inesperadamente, as coisas dão errado para o protagonista, a salvação final fica por um fio e a esperança é depositada no acaso, caro leitor.

E nunca se esqueçam, amiguinhos: "ESSA MERDA NÃO QUER DIZER MERDA NENHUMA"

Se você ainda não leu esta trilogia de Stephen King, saiba que está perdendo um tempo valioso. Se já leu, comenta aí o que achou do livro e da resenha.


Até a próxima.


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Resenha: Amor & Gelato

06 maio



Um bom e velho clichê jamais sai de moda, não é mesmo? Ainda mais ambientado na Itália (em Florença), quer um lugar mais romântico? Acho que não existe, rsrsrs... Para quebrar um pouco do gelo do romantismo (para não ficar tão doce o livro) a protagonista mora em um cemitério, calma vou explicar tudo direitinho. Carolina ou melhor Lina é uma adolescente de dezesseis anos que perdeu a mãe recentemente para uma doença terminal e agora ela se vê tendo que morar em Florença com um pai que ela sequer conviveu antes. O que Florença reserva para ela é bem mais do quê só conhecer o seu pai, ela vai descobrir novas formas de amor e vai viver grandes aventuras revivendo os passos da mãe dela pela cidade junto com um amigo que acabou de conhecer.

Você provavelmente já deve ter ambientado todo um filme em sua cabeça só com essa breve introdução sobre o que fala o livro, do qual já adianto que não vou revelar muito mais, pois posso acabar falando mais do que deveria. Vou me ater a falar sobre a personalidade dos personagens que são bem instigantes e alguns até mesmo típicos dos clichês românticos. Por começar por Howard, quem não se apaixonaria por um cara tão simpático quanto ele? O cara é atencioso e mesmo não recebendo o melhor dos tratamentos de Lina ele age de uma forma super incrível, afinal ele não sabia da existência dela até a mãe dela adoecer. Outro personagem que conquista logo de cara é Ren, não é por acaso que ele logo se torna um grande amigo de Lina, ele é dócil, cuidadoso e um grande amigo.

Os demais amigos que Lina ganha ao chegar em Florença são os típicos de comédias românticas, mas ainda assim ganham um espaço considerável. Tem até mesmo o bonitão que no final não é nada daquilo que se espera, mas ainda assim a história se mantém super envolvente. O único porém da história é que a protagonista, por se tratar de ser adolescente, às vezes é um 'pé no saco' me desculpem a expressão, mas tem aqueles momentos que ficamos morrendo de vontade de dá um sacode nela e falar para acordar para a vida real, mas tirando isso o livro é bem gostoso de se ler.

Cuidado, provavelmente a vontade por tomar gelato durante a leitura vai ser inevitável, além de ficar com água na boca para comer muitas das especiárias apresentadas. Como disse a história tem os seus clichês, mas é deliciosa e difícil de desapegar quando inicia a leitura. Para os amantes do bom e velho clichê deixo essa super dica.
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Companhia das Letras

Resenha: Os meninos da Rua Paulo

29 abril



Título: Os meninos da Rua Paulo
Autor: Ferenc Molnár
Editora: Companhia das letras
Ano: 2017
Páginas: 272

Livros que trazem a temática de amizade acima de tudo nunca saem de moda e não é por acaso que "Os meninos da Rua Paulo" do escritor húngaro Fenrec Mólnar se tornou um clássico da literatura aclamado por muitos e segue sendo passado de geração em geração, suas lições sobre lealdade, amizade e respeito seguem atuais. Existem diversos estudos e resenhas desse livro espalhados pela rede, basta realizar uma busca no google, inclusive se você ainda não leu o livro recomendo para deixar essa busca depois da leitura, caso contrário encontrará diversos 'spoilers'.

Os personagens desse livro são dois grupos de crianças que são rivais e que estão prestes a disputar um espaço onde os meninos da Sociedade do Betume se encontram constantemente após às aula para jogar 'pela'. Com o crescimento urbano de Budapeste, logo as crianças começaram a ficar sem espaços que outrora usavam para brincar e assim deu início a disputa entre os meninos da Sociedade do Betume e os camisas-vermelha pelo 'grund' localizado na Rua Paulo.

O enredo apesar de ser simplista apresenta um vocábulo muito rico, o que a princípio pode deixar a leitura um pouco mais lenta. Em contrapartida a medida que as cenas de ação são introduzidas é impossível deixar essa leitura de lado, o leitor é instigado a conhecer melhor esses garotos que mesmo em meio a uma 'guerra' são extremamente morais e leais um com os outros. Outro ponto que pode atrasar um pouco a leitura, são os nomes dos personagens também são um pouco difíceis de se guardar a pronuncia, mas aos poucos eles vão ganhando forma, crescendo e logo nos acostumamos com os nomes diferentes.

Um dos personagens principais o garoto Nemecsek tem um papel fundamental, mesmo sendo apenas um soldado raso da sociedade instaurada na Rua Paulo. Nemecsek conquista os leitores com a sua dose extra honra e conduta, mesmo sendo um menino franzino, logo conquista o respeito de todos e  se torna um elemento chave durante a guerra. A conduta moral dos dois grupos de garotos é extremamente rigorosa, eles conhecem e respeitam seus inimigos e mesmo com medo permanecem honrado toda a história de amizade um para com o outro e lutando pelo espaço que os concederam tantas alegrias.

O livro foi traduzido para o português por Paulo Rónai que também é húngaro, mas devido a segunda guerra mundial se instalou no Brasil e revisado por Aurélio Buarque de Holanda (sim, o mesmo do dicionário Aurélio) logo o português impecável se justifica, inclusive tem um glossário no final com os sinônimos de algumas palavras. Além disso, o livro é usado para fins didáticos e acabei ficando muito triste por não ter conhecido essa história ainda na escola.

Só posso dizer que me encantei por essa leitura e vou levá-la em meu coração por muito tempo ainda. Infelizmente, como já disse não tive a chance de ler na época da escola, mas creio que teria sido uma experiência ainda mais rica. Recomendo essa leitura independente da idade.
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Stephen King

Resenha: Mr. Mercedes

15 abril


Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Avaliação: 4/5 estrelas
Páginas: 400

Olá rascunheiros e rascunheiras, leitores apaixonados por essa experiência maravilhosa que é conhecer outros mundos. Estou aqui mais uma vez para falar de um autor nada conhecido que figura entre os meus favoritos e que eu quase não falo por aqui: Stephen King. (rsrsrs)

Nosso querido autor escreve e publica mais rápido do que conseguimos ler, mas estamos correndo atrás para alcançá-lo. E hoje vamos falar sobre o primeiro livro de uma sequência bem recente dele, iniciada em 2013: Mr. Mercedes.

Esta história (junto com os outros dois livros que vêm na sequência) tem menos elementos de terror e mais de ação/aventura/investigação. Chamada de trilogia Bill Hodges devido a um dos protagonistas, a história do primeiro livro gira em torno de um caso de assassinato não resolvido pelo detetive aposentado Bill Hodges.

No fim da crise imobiliária dos EUA, muitas pessoas desempregadas se apresentaram cedo na fila para tentar um emprego dos que seriam oferecidos pelo evento promovido pela prefeitura de uma cidadezinha do meio oeste. Mas alguém na cidade não estava disposto a permitir que estes empregos fossem distribuídos e, de repente, um mercedes acelera em direção à fila do City Center sob a neblina do início do dia e mata diversos desempregados, ferindo ainda mais.

William Kermit Hogdes, mais conhecido por Bill, era um detetive e esteve envolvido na investigação do caso que ficou conhecido como o massacre do City Center. Aposentado um pouco depois sem resolver este e alguns outros casos, o mesmo vivia uma vida monótona. Até que um dia, recebeu uma correspondência que reacendeu sua vontade de pegar aquele que ficou conhecido como O Assassino do Mercedes.

A história envolve ainda vizinhos de Bill e a família da dona do mercedes que foi usado no massacre.
Numa construção que eu gosto muito, King alterna entre as perspectivas de cena de Bill e de Brady Hartsfield nosso (não tão) querido assassino do mercedes. O garoto, perturbado (provavelmente pelas relações familiares) acompanha de perto a aposentadoria de nosso det. apos. pois trabalha em um carrinho de sorvete além de ser técnico de computadores.

Para aqueles que ainda não sabem, King já teve muitas experiências traumáticas ao longo da carreira, uma delas quando foi atropelado e quase morreu. Desta experiência surgiram alguns carros assassinos de suas obras como Christine, From a Buick 8 e, mais recentemente nosso Mercedes. 

Além deste, diversos outros easter-eggs rondam a obra, como o fato de Brady usar uma mascara de palhaço durante o massacre. Durante a investigação, um dos policiais afirma: "O rosto da máscara era bem parecido com o de Pennywise, o palhaço do filme.” Ahh, os elementos de capa também contam bastante coisa. Se vocês procurarem na internet pelo local de mensagens Under Debbies Blue Umbrella, irão encontrar uma página (creeepy). Eles não aceitam novos usuários mas se você entrar com a senha kermitfrog19, vai ver o ambiente do livro.

Ao longo desta caçada, Bill encontra amigos em pessoas inesperadas, coisas ruins acontecem de verdade e o seu ar vai desaparecer quando descobrir o que Brady Hartsfield planejou como gran finale da sua carreira de assassino. 

Se você ainda não se convenceu, leia o primeiro capítulo, porque diferente de muitos outros livros de King, este engata logo nas primeiras páginas.

Até a próxima pessoal.

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Planeta

Resenha: Garota em Pedaços

09 abril

Título: Garota em pedaços
Autora: Kathleen Glasgow
Editora: Planeta
Páginas: 320
Ano:2017

Eu tenho buscado cada vez mais livros que me tirem da minha zona de conforto literária e por vezes, tenho procurado na literatura jovem adulta temas polêmicos e que levam a reflexão. Movida por esse instinto comecei a ler "Garota em Pedaços" da autora Kathleen Glasgow e acabei tendo dificuldade para me conectar a história, primeiro, pelo fato mais óbvio, é uma leitura feita para incomodar e não é fácil lidar com livros assim e segundo, porque a história dos personagens escapavam totalmente do contexto que estou habituada a lidar.

A protagonista, Charllote ou simplesmente Charlie, é uma garota com dezessete anos que já passou por situações dolorosas. Sua vida nunca foi fácil e a falta de uma estrutura familiar adequada deixou-a fragilizada e levou-a tomar decisões muito ruins. Quando percebeu já estava com grandes traumas e se auto-mutilando. Tudo começa com Charlie em uma clínica de recuperação para jovens, local onde se sente segura após todas as dores que passou, apesar de evitar falar durante o período que passa na clínica ela ainda tem uma melhora no seu quadro, porém logo se ver obrigada a encarar a vida real novamente e ajudada por um amigo ela muda de estado e tenta recomeçar a sua vida.

Sem a ajuda adequada, ela logo se vê afundando novamente e confrontando velhos hábitos. Sua fragilidade e as marcas causadas pela auto-mutilação levam-a procurar um lugar seguro em um relacionamento com outra pessoa que também se encontra em uma situação similar. Um relacionamento destrutivo para as duas partes, porém os dois estão perdidos e encontrar o caminho de volta se torna cada dia mais difícil. Após a dor da perda da melhor amiga, morar na rua e de ser explorada sexualmente, a clínica e a mudança de cidade, uma parte de consciência desperta dentro de Chalie, mas a dor do passado e fato de estar sozinha nessa luta confrontam-a, deixando-a suscetível a escolher os caminhos mais obscuros. Através da arte ela encontra uma espécie de conforto, mas logo deixa de lado esse processo e se afunda cada vez mais nesse relacionamento tóxico.

O tema do livro é bem relevante, todos os questionamentos, dúvidas da protagonista são duros e difíceis de serem processados. A autora expõe de forma real as dores de Charlie e suas escolhas, por isso achei o livro difícil de ser digerido, mas isso não tira o peso da importância de um livro como esse. Não recomendaria para alguém que passa por situações similares, mas para pessoas próximas a ela, acredito que seria de grande valia essa leitura. Se reerguer não é um processo fácil, principalmente em uma sociedade com tantos problemas socioeconômicos quanto a do mundo atual, alguns fatores são de extrema relevância o processo de recuperação como ter pessoas com quem contar e ajuda especializada. Principalmente, ajuda especializada, ninguém melhor para aconselhar e guiar nesse processo árduo e longo, além claro, da intenção e vontade de parar da pessoa que passa por isso.

Finalizo, reiterando mais uma vez que essa é uma leitura que incomoda e desperta sentimentos adversos, não é para ser feita de uma única vez, é preciso parar e processar o que está acontecendo. Se conectar aos personagens é uma tarefa árdua e talvez não aconteça de fato, principalmente para quem nunca passou por nada similar. Creio que o maior valor está no alerta e na conscientização de pessoas em volta, as batalhas travadas por outras pessoas são difíceis de serem imaginadas e se colocar no lugar do próximo é algo difícil de ser feito e esse livro desperta a empatia e a vontade de ajudar pessoas como a Charlie tao subjugadas pelo mundo e muitas vezes deixadas de lado a margem da sociedade e assim elas acabam se afundando totalmente.


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Clare Vanderpool

Resenha: Minha vida fora dos trilhos

01 abril



Título: Minha vida fora dos trilhos
Autora: Clare Vanderpool
Editora: Darkside
Páginas: 320
Ano: 2017

Clare Vanderpool me encantou com "Em algum lugar nas estrelas", mas me arrematou de vez com "Minha vida fora dos trilhos" (primeiro romance da autora).  Esse último livro estava na minha estante desde o seu lançamento, demorei um pouco para iniciar a leitura, mas mais uma vez me vi imersa em um universo criado por Vanderpool. Como esse ano estou focada em ler os livros que já tenho ao invés de comprar novos, coloquei-o na minha lista de TBR(To be read - para ler) e dessa vez foi através do olhar sensível de Abilene Tucker que me encantei com a história dos moradores de Manifest (uma cidade fictícia do Kansas), a garota de doze anos que se vê vivendo duas vidas diferentes, ao mesmo tempo que busca entender as razões do pai de tê-la enviada para essa pacata cidade.

Abilene Tucker sempre acompanhou ao pai que trabalha nos trilhos dos trem, mas quando completa doze anos ele decide que é a hora da filha criar raízes e opta por mandá-la a Manifest, uma cidade do Kansas onde viveu uma breve fase de sua vida. Abilene chega na cidade sozinha e crente que em breve seu pai irá buscá-la, Shady, o pastor e amigo do pai dela, é quem a recebe. Aos poucos a garota que nunca teve um lar fixo, tem a curiosidade atiçada para saber mais sobre o passado do pai e é assim que ela embarca em uma jornada onde irá conhecer a fundo a história de Manifest e seus moradores.

A garota passa por conflitos internos e tenta acreditar que o pai não a abandonou, por isso busca em Manifest qualquer vestígio sobre o passado do seu pai. É como se fosse uma chama que a mantém confiante que apenas o amor do pai lhe basta, ela não precisa de lar e sim do pai. É em busca do passado que ela se vê junto com as novas amigas procurando um espião na cidade, conhecido como Cascavel. Abilene é amável, esperta e não tem medo de se meter em confusões e é para pagar uma dívida com Srta. Sadie, uma vidente, que ela conhece Manifest dos anos de 1917-1918.


O maior sentimento que a leitura desperta é empatia, não só por Abilene, mas por todos os personagens da história. Todo mundo tem um passado e em alguns casos esse passado pode ser doloroso e difícil de ser visitado, todos fazem concessões pensando ser o melhor, mas nem sempre essas escolhas são fáceis. Uma leitura que vale a pena ser realizada, assim como "Em algum lugar nas Estrelas" (para ler a resenha clique aqui).


Já leu? Tem interesse? Me conta nos comentários vou amar saber a sua opinião.
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HQs/Mangás

Resenha: Persépolis

25 março


Título: Persépolis - completo
Editora: Quadrinhos na CIA.
Páginas: 352
Ano: 2007

Na época das eleições para presidente no Brasil, vi uma imagem em que fazia uma comparação das mulheres antes da revolução islâmica e após no Irã. Confesso que não fazia ideia sobre a história do país e posso dizer, com um pouco de vergonha, que pensei que o regime islâmico sempre existiu por lá. Fui pesquisar mais sobre o tema e cheguei então a graphic novel (romance gráfico) ilustrado e escrito por Marjane Satrapi, uma autobiografia retrata sua perspectiva e os efeitos de uma guerra da infância a sua vida adulta em ordem cronológica.

A história se inicia na década de 1980 quando Marjane era uma criança que sonhava em ser profetiza e conversava com Deus constantemente, mas em seu país começava a revolução islâmica que entre outras coisas obrigava o uso do véu para as mulheres, meninos e meninas deveriam estudar separados, ensinamentos religiosos nas escolas e diversas outras regras em prol da religião islâmica. Seus pais sempre liberais, falavam abertamente sobre política e na década de 1970, participavam ativamente de movimentos contra o regime ditatorial comandado com pelo xá Reza. Com o regime islâmico instaurado no país a guerra ganhou cada vez mais espaço. Atrocidades aconteciam a todo momento e até mesmo uma casa do bairro onde Marjane morava foi bombardeada, os pais optavam para manter seus filhos seguros enviá-los para fora do país. Marjane permaneceu no Irã até os quatorze anos, seus pais decidiram enviá-la para a Áustria para ter uma boa educação. Uma criança morando sozinha em um país estrangeiro, abalada pela guerra e a distância dos pais, obviamente passaria por grandes desafios, além dos dilemas já típicos da adolescência.

Marjane Sartrapi não economizou na hora de retratar sua vida de forma sincera, abordando todo o seu processo de amadurecimento, momentos em que levaram-a contestar a existência de Deus quando seus sonhos de infância deixaram de ser realidade, quando seus heróis mudaram, quando a adolescência conturbada longe dos pais ficou cada vez mais difícil e quando em sua vida adulta demorou um tempo para reencontrar sua essência que era tão clara ainda na infância, mas que se viu cada vez mais distante ao longo dos anos. A leitura é bem diversificada e em alguns momentos até mesmo engraçada, mas sempre reflexiva. Uma graphic novel enriquecedora sobre uma cultura que pouco conhecia e tão distante da minha realidade. Recomendo essa leitura para todos que gostam de história, ou mesmo, para quem não gosta, provavelmente a forma leve como a autora coloca os fatos irá garantir que a leitura seja de fato surpreendente.
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Intrínseca

Resenha: A forma da água

11 março



Olá leitores! As últimas semanas foram bem tumultuadas e acabei me afastando um pouco do blog e aos poucos estou voltando a ativa. Hoje venho falar do livro "A Forma da Água" dos autores Guillermo Del Toro e Daniel Kraus, um romance totalmente "fora da caixa" e que me surpreendeu. Eu sei, o filme de 2017 com suas diversas indicações ao Oscar (ganhador da estatueta de melhor filme de 2018) colocou a história em evidencia e com certeza em algum momento do último ano alguém ouviu sobre a faxineira muda que se apaixona por um ser aquático, ao mesmo tempo que parece ser inviável traz uma mensagem importante nos tempos de intolerância que ainda vivemos. Acreditem se quiser, mas ainda não vi o filme e evitei de todas as formas buscar mais informações sobre o mesmo para evitar os temidos spoilers, logo iniciei a leitura de mente aberta e as surpresas foram grandes. Tendo em vista esse fato irei me ater somente ao livro e não em compara o filme ao livro.

Strickland foi o militar responsável pela captura do ser aquático que também é conhecido como Deus Branquia. A situações que o militar viveu, antes e após sua estadia na floresta amazônica, favoreceu para que se tornasse um ser humano sem escrúpulos e com pensamentos assustadores. Ele vive em uma espécie de redoma, onde tudo gira em torno de si próprio e nunca leva em consideração a família que tem, que por sinal vem sendo negligenciada por anos. Sua esposa, Laine, vive em um relacionamento tóxico que a mantém entorpecida e muitas vezes sem reação, seus filhos também já trazem os reflexos no comportamento devido a forma como o pai os tratam.

Elisa é órfã, muda e trabalha como faxineira na Occam, um departamento de pesquisas secretas situado nos Estados Unidos. É no local de trabalho, em uma área de acesso restrito, onde conhece o ser aquático que a encanta, ela não compreende de cara o que de fato atrai na criatura, mas logo se sente conectada à aquele ser. Mesmo sabendo da força e do que a criatura é capaz, Elisa se sente segura ao seu lado e se esforça para ganhar sua confiança.

Outros personagens ganham destaque ao longo da trama como os amigos de Elisa: Gilles e Zelda. Os dois possuem uma contribuição grande na história, são amigos fiéis e estão dispostos a ajudar a amiga que se encontra perdida com tudo que está acontecendo. Hoffstetler um cientista russo que está infiltrado no departamento de pesquisa também possui um papel de destaque na história, onde vive em conflito entre o que acha certo e o que lhe é solicitado pelos russos.

O livro traz a tona questões como o preconceito, racismo, machismo, intolerância e violência domestica, enfim, temas que estão cada vez mais recorrentes na literatura e no cinema e servem como alerta levantando uma bandeira para discussão sobre o que é saudável e o que não é. Ao mesmo tempo que determinadas situações chocam e causam aversão em quem está lendo, elas servem para sensibilizar e despertar a empatia dos leitores, levando a crer que é possível reverter o mal. Os personagens ganham vida e quase instantaneamente o leitor toma conhecimento de quais as motivações os guiam e se são bons ou maus e a medida que o enredo evolui são apresentados motivos que deixam claro o que os moldaram no passado e como chegaram no estado em que se encontram.

Essa é uma leitura que acredito que não serão todos os leitores que se sentirão confortáveis enquanto lêem ou que será devorada em instantes, é necessário que a leitura seja feita em seu próprio tempo e compasso, dando espaço para enxergar nas entrelinhas sua mensagem, caso contrário poderá ser frustrante o processo de leitura. Ainda assim, acredito que é uma leitura que ao final irá despertar bons sentimentos em seus leitores e um certo otimismo de que é possível reverter situações ruins.
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Filmes

Em cartaz: " A morte te dá parabéns 2"

04 março


Olá Galerinha! Tudo bem com vocês? Espero que sim!
Hoje venho apresentar o filme “A morte Te Dá Parabéns 2” que está em cartaz nos cinemas. 


A produção do que estreou no dia 21 de fevereiro de 2019 é continuação do primeiro filme de mesmo nome lançado no ano 2017, a qual conta a história de Tree, uma jovem universitária esnobe e egocêntrica que é assassinada no fim do dia do seu aniversário por alguém mascarado (uma boa referência à franquia “Pânico”), contudo o mais interessante é que ela retorna ao início do dia, ou seja, ela revive no mesmo dia, dessa maneira, ela começa a se encontra em um cansativo looping temporal até conseguir solucionar a sua morte, o que parece ser muito difícil devido a grande quantidade de inimigos.


 Apesar de não parecer que haja a necessidade do segundo filme, você vai se surpreender com esse novo enredo, além do suspense e a comédia trazidos do filme anterior, há a inserção da ficção científica o que deixa ainda mais atraente. Então, neste segundo filme ainda continuará abordando a vida da Tree, que novamente voltará ao dia do seu aniversário e morrerá novamente várias vezes, mas dessa vez não será da mesma forma, pois não é a única vítima, assim, novamente terá que resolver este terrível problema, no entanto, não será tão simples como antes, é necessário a ajuda dos amigos para colocar o fim nessa bagunça.
Muitas pontas soltas deixadas no filme anterior ganhará uma atenção, ajudando o telespectador ter uma melhor perspectiva da história. Além disso, o envolvimento dos personagens secundários é ainda melhor. A trilha sonora e o cenário continuam bem construídos como no anterior. Se você gostou de filmes como: o clássico “Feitiço no Tempo” de 1993 e o atual “Antes que eu Vá” de 2017, “A Morte Te Dá Parabéns” pode ser uma ótima escolha, mesmo que a temática pareça clichê, o filme ainda pode surpreender.
“A morte Te Dá Parabéns 2” deve permanecer em exibição, provavelmente, até o final de março ou início de abril. Corra ao cinema e confira essa nova produção!!! (OBS: Não se esqueça de assistir ao filme um para não ficar perdida na história.)

Assista o Trailler:

Bom galerinha, espero que tenham gostado!
Aproveite bastante à dica e se divirta. Lembre-se que ainda teremos muitos lançamentos por aqui. Até a próxima! 
Bye Bye!



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Autografia

Letargia - O Amanhã pode ser melhor

17 fevereiro

Título: Letargia - O Amanhã pode ser melhor
Autora: Valéria Magalhães
Editora: Autografia
Ano: 2018
Páginas: 350


Olá pessoal, tudo bem? Depois de ter passado algum tempo fora do blog, estou de volta com a resenha de um livro surpreendente. Infelizmente, não consegui postar nos últimos meses, mas aos poucos tudo já está normalizando e voltaremos com as postagens cheias de novidades. Durante esse tempo, li Letargia que foi um livro enviado em parceria com a editora Autografia e não poderia deixar de compartilhar com vocês minhas impressões a respeito dele.

Kaila é uma moça muito ingênua que mora com os seus tios desde que perdeu os seus pais quando criança. Sua tia Rebeca sempre a tratou muito mal, não permitindo que ela se relacionasse com outras pessoas, nem estudasse e a colocava para cumprir todos os afazeres da casa. Porém, a vida de Kaila começa a mudar quando eles mudam para a Encosta da Serra em que agora há uma empregada na casa e seu tio iniciou o negócio em um bar em que Kaila vai ajudá-lo diariamente. Em uma noite, a jovem conhece Felipe Calado, o irmão mais novo de Humberto e ambos se sentirão atraídos por Kaila. Apesar de não acreditar no amor e não querer proximidade com Humberto por achá-lo arrogante, ambos aos poucos vão se aproximando, mas a vida de Kaila está prestes a mudar completamente de uma forma inesperada.

Letargia foi uma grata surpresa, com uma escrita maravilhosa, que trouxe muitas surpresas e reviravoltas durante a leitura. Há na trama uma mescla de clichês, que ao mesmo tempo torna o livro ainda mais interessante e a cada página lida, a autora trazia novas emoções e vida a esses personagens tão reais.

Apesar de a leitura ser surpreendente, tive dificuldade de sentir empatia por Kaila em alguns momentos. Muitas vezes a personagem busca seguir sua intuição e não pensa na consequência dos seus erros, agindo por impulsividade, além do excesso de ingenuidade acerca de algumas questões. Porém, em meio a esses acontecimentos, surge também uma nova personagem que vai amadurecendo e carregando seus aprendizados ao longo do tempo.

Letargia é um livro para ser lido com calma, para apreciar o cenário de Encosta da Serra, da alegria do seu povo, dos amores a serem descobertos, dos sonhos a serem criados e desfeitos. É um livro que se encaixa não só no gênero romance, mas também novela pela diversidade dos seus personagens. Com um final inesperado, a autora deixa o aviso de que haverá continuação. Portanto, para quem procura um romance de época diferente, sem dúvidas esse é o livro que recomendo!




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Resenha: A Máquina do Tempo

11 fevereiro



Título:A Máquina do Tempo
Autora: H. G. Wells
Editora: Suma
Ano: 2018
Páginas:168

Caros leitores do blog, estamos de volta com a programação Sci-Fi.

Hoje vos trago uma intrigante obra de um grande nome: H. G. Wells. A obra, nada menos que "A Máquina do Tempo".

Esta obra de arte foi publicada pela primeira vez em 1895. Estamos falando de algo do fim do século XIX. E porque isso é importante? Oras, só porque essa obra aborda a temática de viagem no tempo num momento em que ninguém o fazia, criando o subgênero de viagens no tempo e levantando uma abordagem muito não-convencional (para a época) da dimensão do tempo que só vamos ter alguns anos depois com os estudos da relatividade.

A história é iniciada pelo viajante no tempo (Wells se abstem bastante nessa obra de dar nomes aos personagens, tratando-os pelos seus títulos e profissões) em sua casa explicando para alguns colegas (muito provavelmente letrados de algum vínculo acadêmico) sobre sua ideia de que o tempo seria uma quarta dimensão e que se comportaria da mesma forma que as três dimensões do espaço e que poderíamos nos mover através dela como fazemos no espaço. Há uma série de debates sobre estes conceitos, com pontuações extremamente provocativas para aqueles que são curiosos o suficiente para ter devaneios sobre a física do universo, com algumas justificativas muito plausíveis como:

"Tem certeza de que nos movemos livremente no espaço? De fato, podemos ir para a direita e a esquerda, para a frente e para trás, com razoável liberdade de movimentos, e o homem sempre procedeu assim; temos liberdade de nos mover em duas dimensões. Mas e para cima e para baixo? A gravitação nos impõe um limite.
- Não exatamente. Existem os balões - argumentou o Médico.
- Mas antes dos balões, salvo por alguns pulos espasmódicos e as irregularidades da superfície da Terra, o homem não tinha a liberdade do deslocamento vertical."

Observando este argumento, sem dificuldades se chega a conclusão do protagonista de que talvez ainda não possamos nos mover no tempo como nas demais dimensões por uma limitação tecnológica ou científica, apenas não descobrimos ainda o como fazer.

Ao fim dessas elucubrações os colegas do viajante no tempo estão muito céticos, motivo pelo qual o mesmo decide dar uma demonstração da viagem no tempo. SIIIIM, chegamos neste ponto. Ainda muito crentes de que a demonstração apresentada foi um truque, o viajante então apresenta um modelo em escala do protótipo usado na demonstração, ainda em construção.

Um ponto muito importante, inclusive abordado no prefácio da edição em questão é que Wells, diferente de alguns contemporâneos literários não se preocupa em explicar como a máquina funciona ou a realidade fora do ambiente do livro (Londres - Inglaterra). Se levarmos em conta que viajar no tempo já era algo bastante complicado de se explicar no final do século XIX, sendo pioneiro, imagine a complexidade de viajar no tempo e espaço ao mesmo tempo. É bem interessante observar os questionamentos do protagonista sobre coisas bastante factíveis, vocês se pegarão questionando como o autor pensou nessa possibilidade naquela época. 

Continuando a história, após um certo período o viajante no tempo se reúne novamente com os colegas e relata que finalizou a máquina do tempo e que esteve em uma viagem. Cansado e ferido, o mesmo relata após o jantar a sua viagem, sendo esta a segunda parte do livro, com elementos criativos baseados na análise da evolução da sociedade daquele tempo. 

Precisamos levar em consideração que, depois de tanto tempo e tantas novidades na ciência algumas coisas no livro se tornam datadas, como o próprio autor relata no prefácio da edição de 1931 (36 anos depois da primeira publicação). Entretanto, a genialidade de Wells é impressionante, visto a temática inovadora e a abordagem do tema com uma ótica muito científica.

A obra, que faz parte da aurora da escrita ficcional do autor é a primeira de 4 obras que se tornaram cânones do Sci-Fi, tendo na sequência A ilha do Dr. Moreau (1896), O homem Invisível (1897) e Guerra dos Mundos (1897), este último já publicado pela Suma.

Recomendadíssimo, este é um livro obrigatório para todos os amantes do Sci-Fi. A edição feita pela Suma ficou impecável, com capa dura, páginas com uma gramatura bem maior que o padrão, ilustrações fantásticas de página inteira e uma capa de dar inveja. Além disso, conta com um prefácio muito bem elaborado de Bráulio Tavares e ainda o prefácio feito pelo autor para a edição de 1931.


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Alfaguara

Te conto um conto: Um conto quase mínimo de Sérgio Sant’Anna

06 fevereiro


Estou completamente viciada em ler contos e tudo que se relaciona ao tema tem me instigado e motivado ir atrás. Sendo assim, acabei assinando a newsletter da Editora Alfaguara intitulada "Contém um conto" que se encontra em sua segunda temporada. Carol, afinal como funciona essa tal de newsletter? Vou explicar direitinho, newsletter nada mais é que um boletim de informativo que regular sobre um determinado assunto, logo a Editora Alfaguara se disponibilizou ao longo dos próximos três meses toda segunda-feira enviar um e-mail contendo um conto curto porém que vai trazer a tona todo o poder de um texto curto do gênero. Ambicioso? A princípio me pareceu, mas ao receber o primeiro conto fui surpreendida e me peguei impressionada. Essa também é uma ótima oportunidade para quem deseja iniciar no universo da leitura ou não tem tanto tempo para se dedicar essa atividade, os contos são bem curtos e com um Smartphone dá para ser lido até mesmo na hora do café, em uma fila, no ônibus, etc..

Sérgio Sant'Ana é um escritor brasileiro que confesso não conhecia, porém fiquei tão envolvida com o conto que narra uma viagem de carro entre duas pessoas que são cunhadas, um homem e a esposa de seu irmão. Você deve está pensando, como um tema tão simplório pode ser assim tão envolvente? Pois bem caros leitores, a viagem desses dois é descrita de uma forma tão intensa que é impossível não se encantar com a escrita do autor. Duas pessoas que a moral impede-os de ter um envolvimento que ambos desejam, levarão com eles segredos de uma viagem tão banal para o resto da vida.

O conto é bem curtinho e vale a pena reservar alguns minutinhos do dia para lê-lo, tenho certeza que não passará despercebida tamanha a qualidade do texto. Me reservo a não revelar praticamente nada sobre esse conto para vocês leitores, mas tenho certeza que se dispuserem a lê-lo se surpreenderão tanto quanto eu. 

Para assinar a newsletter clique aqui! Após esse primeiro conto estou ansiosa para ler os próximos.
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Generale

Resenha: Caveiras - Vitor Abdala

02 fevereiro


Título: Caveiras - Toda tropa tem os seus segredos
Autora: Vitor Abdala
Editora: Generale
Ano: 2018
Páginas:192


Caríssimos leitores, olha eu aqui novamente.

Passei por muuuitas mudanças nesses últimos meses e acabou que não tenho conseguido conciliar tempo suficiente para ler o tanto que eu gostaria e nem trazer para vocês algumas experiências literárias, but here I am.

E para hoje, trago uma das mais gratas surpresas do último ano. Caveiras foi um livro recebido em parceria com a Generale (obrigada Generale, muito mesmo) que a princípio eu não estava muito empolgado para ler. Acontece que minha perspectiva mudou abruptamente assim que comecei a ler este livro.

Para que vocês compreendam melhor o panorama, preciso esclarecer que ultimamente tenho tido uma abordagem diferente nas minhas leituras: Não leio mais sinopses de orelha do livro ou capa traseira antes de iniciar a leitura, não me preparo com resumos ou pré-informações da obra. Agora, na esperança de ser surpreendido, eu vou as cegas na obra, sem saber onde a leitura irá me levar.

Para quem ainda não sabe, Caveira é uma obra nacional que aborda a realidade da injustiça/preconceito da polícia do Rio com os moradores da favela (nem todo mundo ali é traficante ou bandido), tendo como protagonista o jornalista Ivo, que cobre este tipo de operação policial para um jornal local. Parece clichê ou batido para você, dado o histórico de obras da ficção nacional que retratam isso? Pois é aí que termina o meu, o seu, o nosso julgamento.

Nesta obra fantástica (uma das que guardarei na lembrança com muuuuito carinho, com certeza), Abdala aborda mito, fantasia, violência, abuso de poder, corrupção, terror, ação e muito suspense.

Resumidamente, a história gira em torno do seguinte acontecimento: Ivo vai até a favela do Caju cobrir uma operação do BOPE mas chega atrasado. Na porta da delegacia, encontra com alguns integrantes do BOPE que não querem falar nada. Para não ficar sem história para a matéria, ele ouve uma mulher que diz ter tido seu filho, Serginho, assassinado a sangue frio dentro de casa pelos caveiras sem nenhuma razão. Então, sem dar muito crédito a história mas acreditando poder ser um furo dos bons, Ivo começa a investigar a morte do Serginho e é aí que as coisas começam a ficar estranhas.

Página a página, assim como eu você vai se roer internamente para saber o que aconteceu na última investida de Ivo para saber o que está acontecendo dentro do BOPE e você, com toda certeza, vai se surpreender com o final. 

Cheio de CliffHangers a cada capítulo, se você tiver tempo, você lê este livro em um único dia (além de bom e bem escrito, ele não é um livro gigantesco) e só vai se arrepender de ter finalizado algo tão bom tão rápido.

Pela forma da escrita, tive a impressão no início, de que se tratava de alguma obra baseada em fatos reais, dada a verossimilhança da obra com os milhares de casos que vemos na TV sobre o Rio de Janeiro.

Eu até poderia falar mais, muito mais desse livro que me deu um tapa na cara (as vezes, acabamos não dando o devido valor às obras nacionais contemporâneas, e eu tenho que admitir que as vezes eu faço isso também) mas eu não quero dar spoilers e tirar a emoção que vai ser ler este livro.

É isso pessoal, recomendo demais este livro, tem tanta coisa legal que até me perco na hora de falar.
Espero que gostem, curtam e comentem e até a próxima.


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Alfaguara

Te conto um conto: O pássaro de corda e as mulheres de terça-feira

30 janeiro


Título: O pássaro de corda e as mulheres de terça-feira (presente em O elefante desaparece)
Autor: Haruki Murakami
Editora: Alfaguara
Ano: 2018
Páginas: 7 a 34

"Os ponteiros do relógio da mesa batiam compassadamente na placa de sustentação transparente e pareciam flutuar. O mundo é um brinquedo de cordas, pensei. Uma vez por dia, o pássaro de cordas aparecia e dava corda no mundo."

Finalmente li algo do Haruki Murakami, como me sentia estranha no mundo da literatura sem conhecer um dos autores orientais mais famosos. Murakami nasceu em Quioto no Japão após a Segunda Guerra Mundial e é conhecido mundialmente, suas obras já foram traduzidas para mais de cinquenta idiomas. E ao encerrar a leitura do primeiro conto que tive contato com ele a sensação que ficou é que o autor é realmente genial, a mistura de imaginação e realidade transcendem as páginas e encantam. Que leitura sensacional!

O que eu mais gosto dos contos é que de forma ágil encontramos muito do autor e podemos encantar ou desencantar muito rápido. Com isso dei início a leitura de "O elefante desaparece" e logo no primeiro conto já fiquei impressionada com a genialidade com que o autor liga elementos tão banais e corriqueiros com situações tão surreais de forma natural. A primeira vista fiquei intrigada e curiosa, em um segundo momento me encantei e me vi envolvida com a nova dimensão apresentada pelo autor.

Um telefonema misterioso no horário do almoço, um protagonista desempregado, um gato desaparecido, uma mulher misteriosa e um beco que mais parece estar situado em outra dimensão são alguns dos elementos que compõe o conto "O pássaro de corda e as mulheres de terça-feira". O protagonista do conto é um homem que perdeu o emprego recentemente, casado e que em um passado não muito distante já teve sonhos e ambições maiores, mas acabou pedindo demissão do seu emprego em um escritório de advocacia porque simplesmente não gostava do emprego. É quando está cuidando das tarefas domésticas que recebe o primeiro telefonema, uma mulher misteriosa que deseja acertar os sentimentos dos dois, ele não reconhece a voz, mas fica intrigado com tudo o que a mulher fala. Sua esposa também liga no mesmo dia lembrando-o de procurar o gato em um beco próximo a casa dos dois. Mais tarde no mesmo dia, recebe um telefonema mais uma vez da mulher misteriosa e dessa vez ela lhe dá provas que o conhece e o rumo da conversa acaba desconcertando-o e leva-o a desligar o telefone repentinamente. Após uma longa reflexão ele decide que deve ir atrás do gato. Já no beco outros acontecimentos surreais acontecem. Vou me deter a contar até esse ponto o que acontece no beco.

O conto narrado por outras pessoas não chega nem perto em relação ao que foi escrito pelo autor. Os fatos que diante de outros olhos parecem tão banais, nas palavras de Murakami transcende as barreiras do comum e transporta o seu leitor para uma nova dimensão que encanta, intriga e faz desconfiar o que é real. Uma leitura que valeu a pena e com certeza seguirei lendo ainda mais o autor.
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Aleph

Resenha: A mão esquerda da escuridão

26 janeiro


Conheci o trabalho da Úrsula K. Le Guin através da série de livros fantásticos "Ciclo de Terramar" e logo me apaixonei. De forma sutil a autora transpõe as barreiras impostas pelo seu tempo e vai além, quebrando tabus e mostrando que é uma autora digna de admiração. Quando comecei a ler "A mão esquerda da escuridão" fui arrebatada logo nos prefácios, um escrito por Neil Gaiman e outro pela própria autora que dá uma aula sobre ficção científica do seu ponto de vista. Se o livro ficasse só nos prefácios já iria valer a pena, mas já adianto que a obra não ficou nem um pouco para atrás.

Genly Ai é um terráqueo que foi enviado a Gethen com a missão de unir o planeta ao Ekumen, uma espécie de comunidade universal. Gethen também é conhecido como planeta Inverno, pois a maior parte do tempo eles vivem com temperaturas bem baixas, esse aspecto somado com as barreiras culturais dificultam ainda mais a missão de Genly. A organização social do planeta é de enorme beleza e intriga, lembra em muito aspectos da era medieval, as notícias ainda são acompanhadas via rádio e utilizam apenas meios de transportes terrestres. Além disso, homens e mulheres coexistem dentro do mesmo ser, os habitantes desse planeta são andróginos, em grande parte do tempo eles não possuem características específicas que os definem em um único gênero. Em um determinado período, que é chamado de Kemmer, hormônios femininos ou masculinos se manifestam e permite que assim se reproduzam. Genly Ai, por vezes, precisa vencer as barreiras que o impedem de aceitar a nova cultura que está em contato para assim concluir a sua missão.

A leitura me tomou de tal forma que me vi imersa em uma cultura totalmente diferente da nossa e com sede de saber como tudo se fecharia, as quase trezentas páginas me pareceram passar tão rápido que quando encerrei a leitura mal acreditei. O livro é todo contextualizado e vai afundo na história do planeta, os capítulos alternam entre a narrativa de Genly Ai e Estraven (um habitante do planeta) e, contos que retratam a mitologia local. A princípio não faz sentido o por que dessas histórias estarem ali, mas ao final tudo faz sentido.

Uma cultura nova choca, o novo muitas vezes é assustador e quando tudo parece insustentável o improvável acontece. A amizade que surge entre o protagonista e um habitante do planeta é de extrema beleza e mostra que a tolerância e o respeito devem vir sempre em primeiro lugar, independente dos desafios culturais ou de gênero.

Esse foi um dos livros que ao me ver é um dos mais difíceis de explanar em uma resenha, mas ainda assim fiquei com vontade de recomendá-lo. Vale ressaltar que o livro ganhou o prêmio Hugo e Nebula, prêmios de suma importância para a ficção científica. A autora ganhou esses prêmios no final da década de 1960 e início da década de 1970, uma conquista e tanto, tendo em vista a época e que pouquíssimas mulheres se arriscava a escrever esse gênero. Com uma proposta que extrapola a barreira do tempo e cria uma sociedade onde não existe a desigualdade de gênero é simplesmente fantástico.

"A mão esquerda da escuridão" é um desses livros que valeu a pena ser lido e sem dúvidas irei relê-lo mais uma vez no futuro e tenho certeza que na próxima vez ainda extrairei ainda novas mensagens. Indico a leitura para todos que gostam de ficção científica e para quem não agrada muito, porém que se intrigou com o tema. Super recomendado!
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Sobre Livros

2019 com livros

15 janeiro


Ao início de cada ano é comum nos pegarmos planejando e criando resoluções para ter um ano conforme o esperado. Porém, sabemos que é muito difícil cumprir essas metas, no início começamos motivados e acreditando que iremos conseguir e aos poucos vamos deixando de lado esses objetivos. Já faz muito tempo que abandonei metas (listas) de leitura porque eu creio que devemos ler o que somos instigados pelo momento e ler por obrigação não é algo que vai se tornar prazeroso de uma hora para outra. Além disso, quantidade não define qualidade. Por isso, a minha proposta para esse ano é ler o que me faz bem e seguir mantendo o hábito de leitura, mesmo com o tempo corrido.

Ao longo do ano passado eu li poucos livros, mas foi um ano extremamente feliz com relação as leituras, me despi de preconceitos literários e li gêneros que talvez não consideraria em outras épocas, mas que naquele determinado momento fez sentido e se encaixava com o que buscava. Passei por diversas "ressacas literárias" e teve meses que simplesmente não consegui concluir nenhum livro, um dos aprendizados mais valiosos do ano que passou é que me conheci mais como leitora e reconheço que tenho muito mais para aprender.

Não vou determinar um número de livros que irei ler e nem o tipo, vou apenas me comprometer a ler o que eu quero e deixar a mente aberta para novos gêneros, novas experiências literárias, sem pressão, buscando o equilíbrio e o prazer que somente os livros podem trazer.

Se você está começando no universo dos livros e não tem o hábito de ler, não tenha medo de abandonar uma leitura, procure livros que te agradem e que estimulem o hábito da leitura. Assim, com o passar do tempo ler um livro se torna algo natural e pode ser inclusive que leia e goste daquele livro que foi abandonado algum dia. Leia o que te faz bem!
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