Resenha: Amor & Gelato

06 maio



Um bom e velho clichê jamais sai de moda, não é mesmo? Ainda mais ambientado na Itália (em Florença), quer um lugar mais romântico? Acho que não existe, rsrsrs... Para quebrar um pouco do gelo do romantismo (para não ficar tão doce o livro) a protagonista mora em um cemitério, calma vou explicar tudo direitinho. Carolina ou melhor Lina é uma adolescente de dezesseis anos que perdeu a mãe recentemente para uma doença terminal e agora ela se vê tendo que morar em Florença com um pai que ela sequer conviveu antes. O que Florença reserva para ela é bem mais do quê só conhecer o seu pai, ela vai descobrir novas formas de amor e vai viver grandes aventuras revivendo os passos da mãe dela pela cidade junto com um amigo que acabou de conhecer.

Você provavelmente já deve ter ambientado todo um filme em sua cabeça só com essa breve introdução sobre o que fala o livro, do qual já adianto que não vou revelar muito mais, pois posso acabar falando mais do que deveria. Vou me ater a falar sobre a personalidade dos personagens que são bem instigantes e alguns até mesmo típicos dos clichês românticos. Por começar por Howard, quem não se apaixonaria por um cara tão simpático quanto ele? O cara é atencioso e mesmo não recebendo o melhor dos tratamentos de Lina ele age de uma forma super incrível, afinal ele não sabia da existência dela até a mãe dela adoecer. Outro personagem que conquista logo de cara é Ren, não é por acaso que ele logo se torna um grande amigo de Lina, ele é dócil, cuidadoso e um grande amigo.

Os demais amigos que Lina ganha ao chegar em Florença são os típicos de comédias românticas, mas ainda assim ganham um espaço considerável. Tem até mesmo o bonitão que no final não é nada daquilo que se espera, mas ainda assim a história se mantém super envolvente. O único porém da história é que a protagonista, por se tratar de ser adolescente, às vezes é um 'pé no saco' me desculpem a expressão, mas tem aqueles momentos que ficamos morrendo de vontade de dá um sacode nela e falar para acordar para a vida real, mas tirando isso o livro é bem gostoso de se ler.

Cuidado, provavelmente a vontade por tomar gelato durante a leitura vai ser inevitável, além de ficar com água na boca para comer muitas das especiárias apresentadas. Como disse a história tem os seus clichês, mas é deliciosa e difícil de desapegar quando inicia a leitura. Para os amantes do bom e velho clichê deixo essa super dica.
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Companhia das Letras

Resenha: Os meninos da Rua Paulo

29 abril



Título: Os meninos da Rua Paulo
Autor: Ferenc Molnár
Editora: Companhia das letras
Ano: 2017
Páginas: 272

Livros que trazem a temática de amizade acima de tudo nunca saem de moda e não é por acaso que "Os meninos da Rua Paulo" do escritor húngaro Fenrec Mólnar se tornou um clássico da literatura aclamado por muitos e segue sendo passado de geração em geração, suas lições sobre lealdade, amizade e respeito seguem atuais. Existem diversos estudos e resenhas desse livro espalhados pela rede, basta realizar uma busca no google, inclusive se você ainda não leu o livro recomendo para deixar essa busca depois da leitura, caso contrário encontrará diversos 'spoilers'.

Os personagens desse livro são dois grupos de crianças que são rivais e que estão prestes a disputar um espaço onde os meninos da Sociedade do Betume se encontram constantemente após às aula para jogar 'pela'. Com o crescimento urbano de Budapeste, logo as crianças começaram a ficar sem espaços que outrora usavam para brincar e assim deu início a disputa entre os meninos da Sociedade do Betume e os camisas-vermelha pelo 'grund' localizado na Rua Paulo.

O enredo apesar de ser simplista apresenta um vocábulo muito rico, o que a princípio pode deixar a leitura um pouco mais lenta. Em contrapartida a medida que as cenas de ação são introduzidas é impossível deixar essa leitura de lado, o leitor é instigado a conhecer melhor esses garotos que mesmo em meio a uma 'guerra' são extremamente morais e leais um com os outros. Outro ponto que pode atrasar um pouco a leitura, são os nomes dos personagens também são um pouco difíceis de se guardar a pronuncia, mas aos poucos eles vão ganhando forma, crescendo e logo nos acostumamos com os nomes diferentes.

Um dos personagens principais o garoto Nemecsek tem um papel fundamental, mesmo sendo apenas um soldado raso da sociedade instaurada na Rua Paulo. Nemecsek conquista os leitores com a sua dose extra honra e conduta, mesmo sendo um menino franzino, logo conquista o respeito de todos e  se torna um elemento chave durante a guerra. A conduta moral dos dois grupos de garotos é extremamente rigorosa, eles conhecem e respeitam seus inimigos e mesmo com medo permanecem honrado toda a história de amizade um para com o outro e lutando pelo espaço que os concederam tantas alegrias.

O livro foi traduzido para o português por Paulo Rónai que também é húngaro, mas devido a segunda guerra mundial se instalou no Brasil e revisado por Aurélio Buarque de Holanda (sim, o mesmo do dicionário Aurélio) logo o português impecável se justifica, inclusive tem um glossário no final com os sinônimos de algumas palavras. Além disso, o livro é usado para fins didáticos e acabei ficando muito triste por não ter conhecido essa história ainda na escola.

Só posso dizer que me encantei por essa leitura e vou levá-la em meu coração por muito tempo ainda. Infelizmente, como já disse não tive a chance de ler na época da escola, mas creio que teria sido uma experiência ainda mais rica. Recomendo essa leitura independente da idade.
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Stephen King

Resenha: Mr. Mercedes

15 abril


Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Avaliação: 4/5 estrelas
Páginas: 400

Olá rascunheiros e rascunheiras, leitores apaixonados por essa experiência maravilhosa que é conhecer outros mundos. Estou aqui mais uma vez para falar de um autor nada conhecido que figura entre os meus favoritos e que eu quase não falo por aqui: Stephen King. (rsrsrs)

Nosso querido autor escreve e publica mais rápido do que conseguimos ler, mas estamos correndo atrás para alcançá-lo. E hoje vamos falar sobre o primeiro livro de uma sequência bem recente dele, iniciada em 2013: Mr. Mercedes.

Esta história (junto com os outros dois livros que vêm na sequência) tem menos elementos de terror e mais de ação/aventura/investigação. Chamada de trilogia Bill Hodges devido a um dos protagonistas, a história do primeiro livro gira em torno de um caso de assassinato não resolvido pelo detetive aposentado Bill Hodges.

No fim da crise imobiliária dos EUA, muitas pessoas desempregadas se apresentaram cedo na fila para tentar um emprego dos que seriam oferecidos pelo evento promovido pela prefeitura de uma cidadezinha do meio oeste. Mas alguém na cidade não estava disposto a permitir que estes empregos fossem distribuídos e, de repente, um mercedes acelera em direção à fila do City Center sob a neblina do início do dia e mata diversos desempregados, ferindo ainda mais.

William Kermit Hogdes, mais conhecido por Bill, era um detetive e esteve envolvido na investigação do caso que ficou conhecido como o massacre do City Center. Aposentado um pouco depois sem resolver este e alguns outros casos, o mesmo vivia uma vida monótona. Até que um dia, recebeu uma correspondência que reacendeu sua vontade de pegar aquele que ficou conhecido como O Assassino do Mercedes.

A história envolve ainda vizinhos de Bill e a família da dona do mercedes que foi usado no massacre.
Numa construção que eu gosto muito, King alterna entre as perspectivas de cena de Bill e de Brady Hartsfield nosso (não tão) querido assassino do mercedes. O garoto, perturbado (provavelmente pelas relações familiares) acompanha de perto a aposentadoria de nosso det. apos. pois trabalha em um carrinho de sorvete além de ser técnico de computadores.

Para aqueles que ainda não sabem, King já teve muitas experiências traumáticas ao longo da carreira, uma delas quando foi atropelado e quase morreu. Desta experiência surgiram alguns carros assassinos de suas obras como Christine, From a Buick 8 e, mais recentemente nosso Mercedes. 

Além deste, diversos outros easter-eggs rondam a obra, como o fato de Brady usar uma mascara de palhaço durante o massacre. Durante a investigação, um dos policiais afirma: "O rosto da máscara era bem parecido com o de Pennywise, o palhaço do filme.” Ahh, os elementos de capa também contam bastante coisa. Se vocês procurarem na internet pelo local de mensagens Under Debbies Blue Umbrella, irão encontrar uma página (creeepy). Eles não aceitam novos usuários mas se você entrar com a senha kermitfrog19, vai ver o ambiente do livro.

Ao longo desta caçada, Bill encontra amigos em pessoas inesperadas, coisas ruins acontecem de verdade e o seu ar vai desaparecer quando descobrir o que Brady Hartsfield planejou como gran finale da sua carreira de assassino. 

Se você ainda não se convenceu, leia o primeiro capítulo, porque diferente de muitos outros livros de King, este engata logo nas primeiras páginas.

Até a próxima pessoal.

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Planeta

Resenha: Garota em Pedaços

09 abril

Título: Garota em pedaços
Autora: Kathleen Glasgow
Editora: Planeta
Páginas: 320
Ano:2017

Eu tenho buscado cada vez mais livros que me tirem da minha zona de conforto literária e por vezes, tenho procurado na literatura jovem adulta temas polêmicos e que levam a reflexão. Movida por esse instinto comecei a ler "Garota em Pedaços" da autora Kathleen Glasgow e acabei tendo dificuldade para me conectar a história, primeiro, pelo fato mais óbvio, é uma leitura feita para incomodar e não é fácil lidar com livros assim e segundo, porque a história dos personagens escapavam totalmente do contexto que estou habituada a lidar.

A protagonista, Charllote ou simplesmente Charlie, é uma garota com dezessete anos que já passou por situações dolorosas. Sua vida nunca foi fácil e a falta de uma estrutura familiar adequada deixou-a fragilizada e levou-a tomar decisões muito ruins. Quando percebeu já estava com grandes traumas e se auto-mutilando. Tudo começa com Charlie em uma clínica de recuperação para jovens, local onde se sente segura após todas as dores que passou, apesar de evitar falar durante o período que passa na clínica ela ainda tem uma melhora no seu quadro, porém logo se ver obrigada a encarar a vida real novamente e ajudada por um amigo ela muda de estado e tenta recomeçar a sua vida.

Sem a ajuda adequada, ela logo se vê afundando novamente e confrontando velhos hábitos. Sua fragilidade e as marcas causadas pela auto-mutilação levam-a procurar um lugar seguro em um relacionamento com outra pessoa que também se encontra em uma situação similar. Um relacionamento destrutivo para as duas partes, porém os dois estão perdidos e encontrar o caminho de volta se torna cada dia mais difícil. Após a dor da perda da melhor amiga, morar na rua e de ser explorada sexualmente, a clínica e a mudança de cidade, uma parte de consciência desperta dentro de Chalie, mas a dor do passado e fato de estar sozinha nessa luta confrontam-a, deixando-a suscetível a escolher os caminhos mais obscuros. Através da arte ela encontra uma espécie de conforto, mas logo deixa de lado esse processo e se afunda cada vez mais nesse relacionamento tóxico.

O tema do livro é bem relevante, todos os questionamentos, dúvidas da protagonista são duros e difíceis de serem processados. A autora expõe de forma real as dores de Charlie e suas escolhas, por isso achei o livro difícil de ser digerido, mas isso não tira o peso da importância de um livro como esse. Não recomendaria para alguém que passa por situações similares, mas para pessoas próximas a ela, acredito que seria de grande valia essa leitura. Se reerguer não é um processo fácil, principalmente em uma sociedade com tantos problemas socioeconômicos quanto a do mundo atual, alguns fatores são de extrema relevância o processo de recuperação como ter pessoas com quem contar e ajuda especializada. Principalmente, ajuda especializada, ninguém melhor para aconselhar e guiar nesse processo árduo e longo, além claro, da intenção e vontade de parar da pessoa que passa por isso.

Finalizo, reiterando mais uma vez que essa é uma leitura que incomoda e desperta sentimentos adversos, não é para ser feita de uma única vez, é preciso parar e processar o que está acontecendo. Se conectar aos personagens é uma tarefa árdua e talvez não aconteça de fato, principalmente para quem nunca passou por nada similar. Creio que o maior valor está no alerta e na conscientização de pessoas em volta, as batalhas travadas por outras pessoas são difíceis de serem imaginadas e se colocar no lugar do próximo é algo difícil de ser feito e esse livro desperta a empatia e a vontade de ajudar pessoas como a Charlie tao subjugadas pelo mundo e muitas vezes deixadas de lado a margem da sociedade e assim elas acabam se afundando totalmente.


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Clare Vanderpool

Resenha: Minha vida fora dos trilhos

01 abril



Título: Minha vida fora dos trilhos
Autora: Clare Vanderpool
Editora: Darkside
Páginas: 320
Ano: 2017

Clare Vanderpool me encantou com "Em algum lugar nas estrelas", mas me arrematou de vez com "Minha vida fora dos trilhos" (primeiro romance da autora).  Esse último livro estava na minha estante desde o seu lançamento, demorei um pouco para iniciar a leitura, mas mais uma vez me vi imersa em um universo criado por Vanderpool. Como esse ano estou focada em ler os livros que já tenho ao invés de comprar novos, coloquei-o na minha lista de TBR(To be read - para ler) e dessa vez foi através do olhar sensível de Abilene Tucker que me encantei com a história dos moradores de Manifest (uma cidade fictícia do Kansas), a garota de doze anos que se vê vivendo duas vidas diferentes, ao mesmo tempo que busca entender as razões do pai de tê-la enviada para essa pacata cidade.

Abilene Tucker sempre acompanhou ao pai que trabalha nos trilhos dos trem, mas quando completa doze anos ele decide que é a hora da filha criar raízes e opta por mandá-la a Manifest, uma cidade do Kansas onde viveu uma breve fase de sua vida. Abilene chega na cidade sozinha e crente que em breve seu pai irá buscá-la, Shady, o pastor e amigo do pai dela, é quem a recebe. Aos poucos a garota que nunca teve um lar fixo, tem a curiosidade atiçada para saber mais sobre o passado do pai e é assim que ela embarca em uma jornada onde irá conhecer a fundo a história de Manifest e seus moradores.

A garota passa por conflitos internos e tenta acreditar que o pai não a abandonou, por isso busca em Manifest qualquer vestígio sobre o passado do seu pai. É como se fosse uma chama que a mantém confiante que apenas o amor do pai lhe basta, ela não precisa de lar e sim do pai. É em busca do passado que ela se vê junto com as novas amigas procurando um espião na cidade, conhecido como Cascavel. Abilene é amável, esperta e não tem medo de se meter em confusões e é para pagar uma dívida com Srta. Sadie, uma vidente, que ela conhece Manifest dos anos de 1917-1918.


O maior sentimento que a leitura desperta é empatia, não só por Abilene, mas por todos os personagens da história. Todo mundo tem um passado e em alguns casos esse passado pode ser doloroso e difícil de ser visitado, todos fazem concessões pensando ser o melhor, mas nem sempre essas escolhas são fáceis. Uma leitura que vale a pena ser realizada, assim como "Em algum lugar nas Estrelas" (para ler a resenha clique aqui).


Já leu? Tem interesse? Me conta nos comentários vou amar saber a sua opinião.
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HQs/Mangás

Resenha: Persépolis

25 março


Título: Persépolis - completo
Editora: Quadrinhos na CIA.
Páginas: 352
Ano: 2007

Na época das eleições para presidente no Brasil, vi uma imagem em que fazia uma comparação das mulheres antes da revolução islâmica e após no Irã. Confesso que não fazia ideia sobre a história do país e posso dizer, com um pouco de vergonha, que pensei que o regime islâmico sempre existiu por lá. Fui pesquisar mais sobre o tema e cheguei então a graphic novel (romance gráfico) ilustrado e escrito por Marjane Satrapi, uma autobiografia retrata sua perspectiva e os efeitos de uma guerra da infância a sua vida adulta em ordem cronológica.

A história se inicia na década de 1980 quando Marjane era uma criança que sonhava em ser profetiza e conversava com Deus constantemente, mas em seu país começava a revolução islâmica que entre outras coisas obrigava o uso do véu para as mulheres, meninos e meninas deveriam estudar separados, ensinamentos religiosos nas escolas e diversas outras regras em prol da religião islâmica. Seus pais sempre liberais, falavam abertamente sobre política e na década de 1970, participavam ativamente de movimentos contra o regime ditatorial comandado com pelo xá Reza. Com o regime islâmico instaurado no país a guerra ganhou cada vez mais espaço. Atrocidades aconteciam a todo momento e até mesmo uma casa do bairro onde Marjane morava foi bombardeada, os pais optavam para manter seus filhos seguros enviá-los para fora do país. Marjane permaneceu no Irã até os quatorze anos, seus pais decidiram enviá-la para a Áustria para ter uma boa educação. Uma criança morando sozinha em um país estrangeiro, abalada pela guerra e a distância dos pais, obviamente passaria por grandes desafios, além dos dilemas já típicos da adolescência.

Marjane Sartrapi não economizou na hora de retratar sua vida de forma sincera, abordando todo o seu processo de amadurecimento, momentos em que levaram-a contestar a existência de Deus quando seus sonhos de infância deixaram de ser realidade, quando seus heróis mudaram, quando a adolescência conturbada longe dos pais ficou cada vez mais difícil e quando em sua vida adulta demorou um tempo para reencontrar sua essência que era tão clara ainda na infância, mas que se viu cada vez mais distante ao longo dos anos. A leitura é bem diversificada e em alguns momentos até mesmo engraçada, mas sempre reflexiva. Uma graphic novel enriquecedora sobre uma cultura que pouco conhecia e tão distante da minha realidade. Recomendo essa leitura para todos que gostam de história, ou mesmo, para quem não gosta, provavelmente a forma leve como a autora coloca os fatos irá garantir que a leitura seja de fato surpreendente.
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Intrínseca

Resenha: A forma da água

11 março



Olá leitores! As últimas semanas foram bem tumultuadas e acabei me afastando um pouco do blog e aos poucos estou voltando a ativa. Hoje venho falar do livro "A Forma da Água" dos autores Guillermo Del Toro e Daniel Kraus, um romance totalmente "fora da caixa" e que me surpreendeu. Eu sei, o filme de 2017 com suas diversas indicações ao Oscar (ganhador da estatueta de melhor filme de 2018) colocou a história em evidencia e com certeza em algum momento do último ano alguém ouviu sobre a faxineira muda que se apaixona por um ser aquático, ao mesmo tempo que parece ser inviável traz uma mensagem importante nos tempos de intolerância que ainda vivemos. Acreditem se quiser, mas ainda não vi o filme e evitei de todas as formas buscar mais informações sobre o mesmo para evitar os temidos spoilers, logo iniciei a leitura de mente aberta e as surpresas foram grandes. Tendo em vista esse fato irei me ater somente ao livro e não em compara o filme ao livro.

Strickland foi o militar responsável pela captura do ser aquático que também é conhecido como Deus Branquia. A situações que o militar viveu, antes e após sua estadia na floresta amazônica, favoreceu para que se tornasse um ser humano sem escrúpulos e com pensamentos assustadores. Ele vive em uma espécie de redoma, onde tudo gira em torno de si próprio e nunca leva em consideração a família que tem, que por sinal vem sendo negligenciada por anos. Sua esposa, Laine, vive em um relacionamento tóxico que a mantém entorpecida e muitas vezes sem reação, seus filhos também já trazem os reflexos no comportamento devido a forma como o pai os tratam.

Elisa é órfã, muda e trabalha como faxineira na Occam, um departamento de pesquisas secretas situado nos Estados Unidos. É no local de trabalho, em uma área de acesso restrito, onde conhece o ser aquático que a encanta, ela não compreende de cara o que de fato atrai na criatura, mas logo se sente conectada à aquele ser. Mesmo sabendo da força e do que a criatura é capaz, Elisa se sente segura ao seu lado e se esforça para ganhar sua confiança.

Outros personagens ganham destaque ao longo da trama como os amigos de Elisa: Gilles e Zelda. Os dois possuem uma contribuição grande na história, são amigos fiéis e estão dispostos a ajudar a amiga que se encontra perdida com tudo que está acontecendo. Hoffstetler um cientista russo que está infiltrado no departamento de pesquisa também possui um papel de destaque na história, onde vive em conflito entre o que acha certo e o que lhe é solicitado pelos russos.

O livro traz a tona questões como o preconceito, racismo, machismo, intolerância e violência domestica, enfim, temas que estão cada vez mais recorrentes na literatura e no cinema e servem como alerta levantando uma bandeira para discussão sobre o que é saudável e o que não é. Ao mesmo tempo que determinadas situações chocam e causam aversão em quem está lendo, elas servem para sensibilizar e despertar a empatia dos leitores, levando a crer que é possível reverter o mal. Os personagens ganham vida e quase instantaneamente o leitor toma conhecimento de quais as motivações os guiam e se são bons ou maus e a medida que o enredo evolui são apresentados motivos que deixam claro o que os moldaram no passado e como chegaram no estado em que se encontram.

Essa é uma leitura que acredito que não serão todos os leitores que se sentirão confortáveis enquanto lêem ou que será devorada em instantes, é necessário que a leitura seja feita em seu próprio tempo e compasso, dando espaço para enxergar nas entrelinhas sua mensagem, caso contrário poderá ser frustrante o processo de leitura. Ainda assim, acredito que é uma leitura que ao final irá despertar bons sentimentos em seus leitores e um certo otimismo de que é possível reverter situações ruins.
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