Morro Branco

Resenha: Nossos Dias Infinitos

19 setembro

Título: Nossos Dias Infinitos
Autora: Claire Fuller
Editora: Morro Branco
Ano: 2016
Páginas: 336
Classificação: 

Nossos Dias Infinitos estava na minha lista de desejados há bastante tempo, desde que ele havia sido lançado pela editora Morro Branco e fiquei muito curiosa, mas ao ler ao sinopse do livro eu esperava algo completamente diferente, uma distopia, uma ficção científica, mas na verdade o livro se encaixa mais em um gênero dramático atrelado ao suspense e mistério.

Peggy é uma garota de oito anos que vive com os seus pais, sendo a sua mãe uma pianista famosa de origem alemã, que viaja para fazer grandes apresentações, sem se atentar ao que acontece em casa e sem conhecer muito bem a sua família, enquanto o seu pai passa os dias fazendo reuniões com amigos e elaborando planos, longas listas do que será necessário para ser um sobrevivencialista quando o mundo acabar. Com essa ideia fixa, James começa a ensinar sua filha Peggy um pouco mais da caça, contar a ela histórias sobre die Hütte, do qual ele diz ser um lugar mágico em meio à floresta, em que eles podem caçar e pescar para a própria sobrevivência.

Peggy nunca questiona o pai sobre os fatos que ele conta, e é surpreendida no dia em que ele fala com ela que eles ficarão de férias em die Hütte, mas ao chegar no lugar em que seu pai falou, tudo o que Peggy percebe é uma cabana suja e abandonada no meio da floresta. Seu pai havia comprado algumas coisas necessárias, mas Peggy não imaginava que naquela pequena cabana ela viveria por oito anos. Pouco tempo depois que seu pai fala com ela que o mundo havia acabado e sua mãe havia morrido, novamente ela não questiona, pois se eles eram as duas únicas pessoas no mundo, só restava sobreviver sabendo que não teria mais contato com outros seres humanos e teria que lidar com a saudade da mãe e da melhor amiga Becky. Além disso, ela começa a perceber que não terá uma vida normal tendo que caçar para sobreviver e lidar com o temperamento cada vez mais complicado do pai.

Nossos Dias Infinitos não é um livro comum, ele é narrado pela Peggy, que também é conhecida como Punzel, que era a forma como seu pai a chamava. O livro se inicia em 1985 na atualidade, e é intercalada com a narrativa de 1976 que foi quando a personagem foi para a floresta com o seu pai. São poucos capítulos que narram a vida atual da Peggy, então o foco maior foram os momentos vivenciados com James.

Apesar de aparentar ser uma narrativa leve, não se engane: o livro é bem construído e muitos personagens dele não acrescentaram muito na trama. Peggy é criança quando vai para a cabana com o pai, tem uma boneca que ela conversa sendo sua amiga imaginária e não compreende porque tem que ficar em um lugar do qual não gosta, mas também não pode questionar ao pai. James oscila entre a realidade e a loucura, demonstrando comportamentos apaziguadores e também controversos. É um livro que deve ser lido bem atentamente, porque a autora sabe como narrar uma história deixando o leitor bem curioso e ao mesmo tempo confuso.

Em relação à narrativa, inicialmente achei bem lenta, e ao contrário da maioria dos livros que leio, não consegui me apegar muito aos personagens. Porém, a escrita é bem delineada e os fatos simplesmente são jogados na trama, sem julgamentos ou questionamentos. Ao fechar a última página, eu já imaginava o que aconteceria, então não houve surpresa. Porém, para quem procura uma narrativa que envolve drama psicológico, suspense e mistério, esse é o livro que recomendo!



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Best Seller

Resenha: Querido Mundo

17 setembro

Título: Querido Mundo
Autora: Bana Alabed
Editora: Best Seller
Ano: 2018
Páginas: 160
Classificação: 


Geralmente costumo fugir de livros que falam sobre a guerra, pelo fato de serem relatos dolorosos, do qual muitas vidas inocentes se perdem em meio ao caos humano. Já tinha lido alguns sobre as guerras mundiais, mas sobre a guerra na Síria ainda não, e esse foi o primeiro com o diferencial de ser narrado pelo ponto de vista de uma criança, a Bana Alabed, uma garota que luta pela paz de seu país.

Bana Alabed nasceu e cresceu em Aleppo vivendo com os seus pais e o seu irmão, e sendo muito próxima dos seus tios e avós. Seu pai era advogado e sua mãe universitária de direito. Porém, quando a guerra começou em Aleppo, Bana não sabia muito bem o que estava acontecendo até que o seu pai foi sequestrado e sua família havia ficado preocupada, mas logo ele voltou para a casa. Pouco tempo depois foram as bombas que começaram a cair na capital e a garota teve que começar a aprender a conviver com a guerra, conhecendo todos os seus sinais para que tivesse a chance de sobreviver com a sua família em meio a tanta tristeza e desespero.

Querido Mundo não é somente um livro, mas um grito de uma criança que teve uma infância interrompida, que trocou as bonecas pelos conhecimentos da guerra e em pouco tempo já sabia diferenciar as bombas quando deveria estar vivendo cada momento da infância que aos poucos foi ficando perdida.

A narrativa do livro é em primeira pessoa e por mais que sabemos algumas questões da guerra na Síria, elas são muito poucas, até porque o relato é na visão de uma criança de sete anos, mas ainda assim muito madura por ter vivenciado tudo isso de forma tão prematura. Há momentos em que a mãe de Bana narra, e por eles é possível perceber as preocupações com a família, com os filhos, com os pais. Como sair de um lugar em que sempre foi a sua casa sem ter dia certo de voltar, sem saber se será aceito em outro país que também não é o seu?

Bana lidou com a dor da perda, com o luto, a tristeza, o desespero, a fome, o medo recorrente que a guerra produz, mas jamais deixou de ter esperanças. Em meio a essa tristeza, ela encontra forças para lutar e no Twitter o conforto que precisa para representar o grito de esperança que as crianças sírias precisam, através de suas mensagens relatando seus momentos angustiantes e pedindo a paz.

Querido Mundo é um livro para se emocionar, colocar-se no lugar dessas narradoras e pensar em como a guerra pode ser cruel, mas ainda assim existem pessoas boas, como também há esperança. Bana presenciou o afastamento daqueles que a amavam e ela os viu sem forças para lutar, parou de ir a escola, já não podia brincar mais nas ruas, pois elas estavam destruídas, viu sua própria casa ruir, e ainda assim seus pais sendo fortes para cuidarem dela.

É um livro que fala sobre dor, mas também sobre o amor e a esperança. Sobre lutar por aquilo que se acredita e jamais desistir que tudo será diferente. Que o mundo pode ser sim um lugar difícil, mas se você acredita na paz, ela não é impossível na sua vida. E é por tudo isso que essa autobiografia tão tocante está mais do que recomendada! Que o amor seja a maior manifestação de paz em nosso mundo!



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Lançamentos

Top 5: Lançamentos Desejados do Mês de Setembro

14 setembro


Olá pessoal, tudo bem?
O mês de setembro já passou da metade e com ele muitos lançamentos incríveis chegaram. Sem dúvidas, a Bienal teve uma grande influência e mais uma vez eu não poderia deixar de compartilhar a minha lista de desejados com vocês, afinal, ler novos livros é adentrar diferentes mundos e se encantar ou não por eles.

Esse livro entrou para a minha lista de desejados desde que o Grupo Editorial Record anunciou o lançamento dele. Imagina se apaixonar por alguém e viver intensamente esse amor por uma semana e seu companheiro sumir sem deixar nenhum rastro? O gênero de romance atrelado ao mistério só me faz pensar que essa será de fato uma ótima leitura.

Sinopse: Sete dias perfeitos e então ele desapareceu. Imagine a seguinte situação: você conhece um homem, vocês passam sete dias maravilhosos juntos, e você fica apaixonada. E o que é melhor: o sentimento é recíproco. Você nunca teve tanta certeza de algo na vida. Então, quando ele parte numa viagem de férias agendada há muito tempo e promete te ligar para o aeroporto, você não tem nenhum motivo para duvidar disso. Mas ele não liga. Seus amigos dizem que você deve desencanar, que deve esquecer o cara, mas você sabe que eles estão errados. Eles não sabem de nada. Algo de ruim deve ter acontecido, deve haver um motivo sério para explicar o silêncio dele. O que você faz quando finalmente descobre que tem razão? Que existe um motivo — e que esse motivo é a única coisa que vocês não compartilharam um com o outro? A verdade.



Nesses últimos meses tenho lido muitas autobiografias e desde que vi esse lançamento na Amazon, ele me chamou a atenção por falar sobre sonhos e mesmo crescendo em um lar difícil, Tara nunca desistiu de mudar de vida. Acredito que será uma leitura muito interessante.

Sinopse: Tara Westover tinha 17 anos quando pisou pela primeira vez em uma sala de aula. Nascida nas montanhas de Idaho, Estados Unidos, era a caçula de sete irmãos. Guiados pelo fanatismo do pai, todos estavam sempre se preparando para o fim do mundo, estocando conservas e dormindo com uma mala pronta para o caso de fuga. No verão, ajudava a mãe, parteira e curandeira, a fazer remédios medicinais. No inverno, coletava sucata com o pai.
Além do sistema de ensino, seu pai também desconfiava dos hospitais, por isso Tara jamais viu um médico durante a infância. Cortes, machucados e até mesmo graves queimaduras eram todos tratados em casa. A família estava tão isolada da sociedade que não havia ninguém para garantir que as crianças recebessem educação, nem para intervir nos casos de violência.
No entanto, quando um de seus irmãos conseguiu entrar para a faculdade e retornou com notícias do mundo além da montanha, Tara resolveu tentar um novo tipo de vida. Aprendeu matemática, gramática e ciências para prestar o vestibular, e foi admitida na Universidade Brigham Young. Sua busca pelo conhecimento a transformou, fazendo-a atravessar oceanos e continentes, até chegar às universidades de Harvard e Cambridge, na Inglaterra. Foi quando se deu conta de quão longe tinha viajado, e se perguntou se ainda existiria um caminho de volta para casa.
A menina da montanha é um relato autobiográfico sobre a busca de uma nova identidade. É um conto sobre lealdade familiar e sobre o luto de romper estes laços. Com a intensa sensibilidade que distingue os grandes escritores, Tara Westover nos oferece uma história universal que resume o sentido da palavra educação: a perspectiva de ver a vida com novos olhos, e a vontade de mudar.


Para variar as escolhas do mês, esse clássico já está na minha lista de desejados. Eu tive a oportunidade de ler a versão original traduzida de E. T. A. Hoffmann e até fiz uma resenha para o blog (clique aqui). O interessante dessa versão lançada pela Zahar é que inclui a original com a clássica de Alexandre Dumas que ainda não li.

Sinopse: Inclui as duas versões desse clássico que inspirou o novo filme da Disney
É véspera de Natal. Marie se encanta, dentre todos os presentes, por um quebra-nozes em formato de boneco. Ela acomoda o novo amigo no armário de brinquedos – mas, à meia-noite, ouve estranhos ruídos. Aterrorizada, vê seu padrinho, o inventor Drosselmeier, sinistramente acocorado sobre o relógio de parede, e um exército de camundongos invadindo a sala, comandado por um rei de sete cabeças! Contra eles, os brinquedos saem do armário e põem-se em formação. Têm uma grande batalha pela frente, sob as ordens do Quebra-Nozes...
Entre o sonho e a realidade, Marie viverá histórias maravilhosas e estranhas, de reinos, feitiços e delícias. Histórias em que o inusitado padrinho tem um papel especial, e nas quais só pode embarcar quem tem os olhos e o coração preparados. Você tem?
Esta edição inclui as duas variantes da história: a versão original de E.T.A. Hoffmann e a clássica de Alexandre Dumas – que popularizou a história e inspirou o famoso balé de Tchaikovsky –, com tradução de André Telles (do francês) e Luís S. Krausz (do alemão). Traz ainda apresentação da pesquisadora e especialista em contos de fadas Priscila Mana Vaz e mais de 200 ilustrações de época. A versão impressa apresenta capa dura e o acabamento de luxo característico da coleção Clássicos Zahar.


Acompanhei o lançamento desse livro pelo Goodreads e qual foi a minha felicidade ao vê-lo sendo publicado aqui no Brasil pela Galera Record. Não li muitos livros de fantasia, mas os poucos que conheci, me fizeram gostar muito desse gênero e a premissa de O Príncipe Cruel já me conquistou, então espero que seja uma boa leitura.

Sinopse: Primeiro livro da mais nova série de Holly Black. Conheça a impressionante história de uma garota mortal que se vê presa em uma teia de intrigas reais. Jude tinha 7 anos quando seus pais foram assassinados e foi forçada a viver no Reino das Fadas. Dez anos depois, tudo o que ela quer é ser como eles – lindos e imortais – e realmente pertencer ao Reino das Fadas, apesar de sua mortalidade. Mas muitos do povo das Fadas desprezam os humanos. Especialmente o Príncipe Cardan, o filho mais jovem, mais bonito e mais cruel do Grande Rei. Para ganhar um lugar na Alta Corte, ela deve desafiá-lo... e enfrentar as consequências. Envolvida em intrigas e traições do palácio, Jude descobre sua própria capacidade para truques e derramamento de sangue. Mas, com a ameaça de uma guerra civil e o Reino das Fadas por um fio, Jude precisará arriscar sua vida em uma perigosa aliança para salvar suas irmãs, e o próprio Reino. Com personagens únicos, reviravoltas inesperadas, e uma traição de tirar o fôlego, este livro vai deixar o leitor pedindo bis – querendo mergulhar de cabeça na continuação deste universo.

Mais um livro que fala sobre mitologia grega sendo lançado e eu não poderia deixar de colocar em minha lista de desejados, afinal esse parece estar bem completo com os melhores mitos. A maior dificuldade é em encontrar um que tenha os mitos compilados em uma ordem correta, mas só de poder revê-los já é muito bom.

Sinopse: Um novo olhar – mais honesto e muito mais divertido – sobre heróis, deuses e titãs, nas palavras de um dos maiores atores britânicos da atualidade
Ninguém é capaz de amar e brigar, desejar e iludir com tanta ousadia e brilho quanto os deuses e as deusas da mitologia grega. Rabiscando suas histórias maravilhosas pelos céus, no fundo eles são como nós... só muito mais intensos e poderosos.
Entre muitos outros episódios, nestas páginas estão:
• o nascimento de Afrodite (depois de um péssimo dia na vida do titã Urano);
• a incrível jornada de Perséfone aos reinos sombrios de Hades;
• o crime hediondo e o terrível castigo eterno de Prometeu;
• as consequências da curiosidade de Pandora, incapaz de manter fechado seu jarro repleto de tormentos.
Os deuses gregos representam o que há de bom e mau em todos nós. Pelas mãos de Stephen Fry, neste livro inteligente, engraçado e, acima de tudo, divertido, eles nos revelarão quem somos de verdade.


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Novo Século

Resenha: Eleanor e Park

12 setembro

Título: Eleanor & Parker
Autora: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Páginas: 328
Ano: 2014
Classificação: ✭✭✭✭ 

Sempre tive vontade de conhecer a escrita da Rainbow Rowell, eu ouvi falar dela pela primeira em um vídeo no canal da Tatiana Feltrin já faz uns quatro anos e naquele momento acrescentei o livro Eleanor e Park a minha lista de leituras futuras. O tempo passou e acabei adiando a leitura, até que por um acaso do destino os livros da autora passaram a fazer parte do Kindle Unlimeted e claro não poderia perder essa chance. E como estou arrependida de não ter lido antes, que leitura boa.

Eleanor e Park é um livro jovem adulto (young adult - YA) que me prendeu pela sutileza como foram inseridos temas tão complexos, sem tirar o peso do drama que os personagens carregam. Eleanor é nova na escola de Park e quando ela pega o ônibus pela primeira vez se vê perdida para encontrar um lugar para se sentar e Park acaba cedendo o assento ao lado dele, mas ele acaba não ficando muito confortável com a situação. A princípio eles não trocam nenhuma palavra e logo, Park percebe que Eleanor está lendo os quadrinhos que leva para ler no caminho da escola, o que acaba levando-o a emprestar algumas HQs a ela e assim começa a surgir uma amizade entre os dois.

A historia se passa na década de 1980 e o foco do livro é na história de Eleanor que vem passando por muitas turbulências, após ter sido expulsa pelo padrasto de casa, a mãe dela acaba convencendo-o a aceitar a filha novamente e esse retorno não está sendo nada fácil. Ela enxerga a situação vivida pela família de uma forma diferente da mãe, Eleanor vê o quão mal o padrasto os trata, chegando até mesmo agredir a mãe diversas vezes. Sem contar que a condição financeira não é nada favorável, além disso a família é grande e Eleanor é a irmã mais velha, de certa forma ela acaba se sentindo responsável por manter os irmãos seguros. O pai de Eleanor não tem a menor intenção de cuidar dos filhos e pra falar a verdade não dá a mínima a eles. Com isso eles não tem a quem recorrer. A vida na escola também não é nada razoável, já que Eleanor é vítima de bullying por ser ruiva e grande, como é descrita no livro. Por ser de família pobre suas roupas também destoam dos demais por sempre personalizá-las para esconder os desgastes, seus cabelos cacheados também estão sempre desgrenhados. Ela acaba passando por maus bocados por isso.

A mãe de Park é coreana e o pai caucasiano, o que o difere bastante do restante das pessoas que moram no bairro e estudam na escola já que a maioria são negros. Park sofre um pouco para encontrar a sua identidade em meio a tudo isso, principalmente por seu pai ter sido um militar e cobrar dele de forma rígida. Ao contrário de Eleanor a estrutura familiar de Park é bem estruturada, a princípio eles oferecem um pouco de resistência a Eleanor, mas acabam recebendo-a bem e sempre ajudando-a.

Uma leitura incrível que eu amei ter realizado. O desenvolvimento da historia é um pouco lento e aproximação de Park e Eleanor acontece de forma gradual, já nesse ponto a autora me conquistou, já que o romance dos dois não é nada clichê. Me envolvi de tal forma no universo dos personagens que me vi torcendo e vibrando pelos dois. Por mais que a história seja um YA é tudo tao bem dosado  e proporcional que acredito que irá agradar leitores de todas as idades.

Preciso dizer que o final não é feliz. Por mais que quisesse que tivesse mais algumas páginas pela frente a autora encerrou o livro de forma magistral. Alimentou um pouco de esperança e acalmou o meu coração. A beleza do livro reside justamente na forma que essa história de amor é contada e em todo o drama vivido por Eleanor, os protagonistas se ajudam de forma mútua e encontram conforto na companhia um do outro. Recomendo a leitura sem restrição de idade, vale a pena conhecer esse livro. 


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GRRMartin

Resenha: Sonho Febril

10 setembro


Título: Sonho Febril
Autor: George R. R. Martin
Editora:Leya
Ano: 2015
Páginas:352
Classificação: ✭   +  

Fala pessoal, Renner por aqui para trazer a vocês uma resenha que eu aposto que a maioria não conhece. Estou falando de Sonho Febril, romance de George R.R. Martin (autor de Game of Thrones) publicado em 1982 (inglês) e 2015 (Brasil). Assim que foi lançado, fiquei de olho em busca de promoções e nunca encontrava ele num preço legal, até que, no mês passado quando fui na Bienal do Livro na correria, achei ele por 10 reais em um estande. Comprei sem pensar duas vezes e iniciei essa leitura que tanto queria assim que terminei o livro que estava lendo.

Bom, eu já sabia pela experiência de "As Crônicas de Gelo e Fogo 1 a 5", "O Cavaleiro dos Sete Reinos", "O Dragão de Gelo" e "A Morte da Luz" que não poderia esperar pouco de uma obra desse autor hoje tão renomado. Mas a experiência que eu tive ao ler esse livro foi mais gostosa do que eu esperava, admito. Há nele uma nostalgia tão grande pelos modos antigos de vida(acredito que é intencional por parte do autor) que tornam a leitura muito prazerosa.

A obra, que se passa no período de 1850-1870, época transitória em que os estados do sul dos EUA ainda eram escravagistas e os do norte já haviam abolido a escravidão. Isso tem importância gigantesca na medida em que G.R.R.Martin faz uma critica velada às relações exploratórias humanas. Nesse período, muito do comércio nos Estados Unidos se dava por via aquática, uma vez que as ferrovias ainda eram um sonho em construção, e é nesse contexto que somos inseridos. Abner Marsh é um velho capitão de vapores que comanda a companhia Vapores do Rio Fevre, a qual já possuiu um grande número de vapores navegando mas que recentemente sofreu com uma geleira que destruiu quase toda a frota da companhia, restando apenas o velho e decrépito Ely Reynolds. Até que, numa fatídica noite Marsh recebe um convite de um sujeito muito estranho para uma proposta de sociedade quase inacreditável. Afinal, quem iria querer comprar 50% de uma companhia de vapores que só tem e pequeno e velho vapor? É aí que conhecemos Joshua York, personagem que ilustra a capa (no Brasil) muito belamente, diga-se de passagem (não sei se já disse por aqui, mas sou um grande fã das capas de fantasia da Leya, são artes que se destacam em qualquer livraria).

Devido a natureza descritiva do autor (vide Crônicas de Gelo e Fogo), somos inseridos nesse mundo da navegação fluvial de vapores que foi tão presente nos EUA nessa época, aprendendo muito sobre os costumes, termos, sobre a geografia e técnicas, é extremamente imersiva a experiência. O rio que serve de cenário é o Mississipi, rio que corta todo os EUA de norte a sul, iniciando no estado de Minnesota e descendo até New Orleans. A história toma lugar no baixo Mississipi, entre St. Louis e New Orleans e, frequentemente você vai ouvir sobre cidades como Memphis, Vicksburg, Bayou Sara, Baton Rouge, Natchez, Greenvile, entre outros. 

Voltando ao roteiro, a proposta de Joshua York a Abner era de que ele compraria metade da Vapores do Rio Fevre pois queria navegar e aprender sobre o rio, tinha negócios a tratar ali, mas que não tinha o conhecimento necessário. No acordo, ele exige que Abner aceite os hábitos esdrúxulos de Joshua e seus amigos, que não faça perguntas e tudo ficaria bem. Marsh, à beira da falência depois do acidente que fez ele perder quase toda a frota, sente-se tentado pela quantidade de dinheiro. Entretanto, desconfiado de que ninguém seria bom assim sem um motivo, faz também suas exigências, visto que Joshua disse que não seria o Ely Reinolds o vapor que eles iriam navegar. Abner quer construir um navio para superar o famoso Eclipse, um gigantesco vapor que detinha o título de mais rápido do rio. Constroem então o Fevre Dream (em tradução é daí que vem o nome do livro, apesar que febre é traduzido como fever, fevre é um acrônimo que remete a outra palavra), o sonho de Abner e Joshua. E é então que começa a verdadeira obra. Há várias fases nesse livro: primeiro a introdução que vos apresentei, então a parte em que aprendemos sobre navegação na primeira viagem do Fevre Dream, a desconfiança de Abner, a descoberta, o drama de quando as coisas começam a dar errado, a perseguição, a fuga, o hiato e o arco final. Em cada etapa, uma emoção diferente toma conta do leitor, a medida em que vamos conhecendo a verdadeira natureza de Joshua e seus amigos, o momento em que Joshua e Damon Julian se encontram, a perseguição eletrizante entre Ely Reynolds e Fevre Dream, a revoltante parte do hiato em que Abner não mais sabe sobre Joshua e se aposenta e por fim a conclusão dramática da obra. É certamente um livro para se devorar, tamanha a qualidade.

Além da nostalgia e do aprendizado (sempre gosto de aprender coisas novas de história, hábitos antigos, técnicas, etc), há sempre um nó na garganta quando os momentos de clímax acontecem. É eletrizante, faz os dedos apertarem mais o livro, faz você querer pular logo para a próxima página, para o próximo capítulo e saber o que acontece. Se você ler a sinopse, vai descobrir que esta obra é uma releitura (muito boa por sinal) sobre as famosas lendas de vampiros. O autor inclusive brinca com a tradição, mencionando Vlad Tepes num trecho. Enfim, eu poderia falar muuuuitas outras coisas sobre essa maravilha que é Sonho Febril mas não quero me estender nem dar alguns spoilers desnecessários, mas é definitivamente uma obra que eu recomendo, está entre minhas leituras favoritas, uma experiência ímpar que, suspeito, não verei tão cedo novamente.

Deixem aí nos comentários, dúvidas, sugestões, o que acharam da obra (quem leu) e vamos discutir um pouquinho... Até a próxima.

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Tag: Baile de Primavera (Original)

07 setembro


Olá Galerinha! Tudo bem com vocês? Espero que sim!
A primavera aproxima-se, e com ela muita alegria. Nas escolas americanas, nesta época comemora-se o “Baile da Primavera”, e infelizmente não temos esta tradição em todo nosso país, mas isso não impede de fantasiar a ideia.


Participe juntamente comigo do baile inesquecível! Está preparada(o)?

O baile de primavera está próximo, faltam apenas 17 dias. Ainda falta muita coisa para organizar para o grande dia. Está na hora de planejar cada detalhe para que nada saia errado.

#1- Não rola ir ao baile sozinho(a), seria muito solitário. É preciso encontrar o crush ideal. Então, o personagem literário para ser o acompanhante do sonho é...

Eu: Patch (Série literária “Hush Hush”)

#2- Não dar para ir a um baile sem um vestido (no caso das meninas) e um smooking ( no caso dos meninos), é preciso está plena(o) . Escolher um look perfeito não é uma tarefa fácil, é necessário inspiração. Nesse caso, baseado nos filmes e série que conhecemos bem, o look a ser usado do baile seria a da(o)...

Eu: Elena (Episodio 19 da quarta temporada da série The Vampire a Diaries)




#3- As flores são importantes para completar o seu look e representar a primavera. A pulseira que o seu crush irá te dar tem que ser de...

Eu: Rosas (cor: rosa claro)




#4- Você não liga muito em ser Rainha ou Rei da Primavera. Mas você deseja que boas pessoas ganhe a almejada coroa. Então, os personagens (pode ser de séries, filmes ou livros) que você gostaria que fossem coroados são...

Eu: Lara Jean e Peter Kavinsky (Série literária “Para Todos os Garotos que já Amei”)




#5- A música não pode faltar em um baile, pois deixa o ambiente mais alegre e divertido. Quase no final da noite é preciso aquela música romântica para dançar coladinha(o) com seu parceiro. Sendo assim, a música ideal é...

Eu: Perfect (Ed Sheeran)


#6- Depois do baile seu crush quer te levar para dar uma volta pela cidade para passar um pouco mais de tempo juntos antes de irem para universidade. O local tem que combinar com você. Desta maneira, o lugar perfeito para vocês terem um momento de romance é...

Eu: Um jardim com uma estufa de vidro (parecido com o que aparece em uma das cenas do filme a Barraca do Beijo)




             Sinta-se a vontade para deixar a suas respostas nos comentários.
            Espero que tenham gostado galerinha! Lembre-se que ainda teremos muitas novidades rolando por aqui. Até a próxima!



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Arqueiro

Resenha: O Segredo de Helena

05 setembro

Título: O Segredo de Helena
Autora: Lucinda Riley
Editora: Arqueiro
Ano: 2018
Páginas: 464
Classificação: 

É inquestionável o talento de Lucinda Riley ao escrever livros com narrativas tão admiráveis, que deveriam ser transformados em filmes algum dia. No entanto, de todas as obras dela, essa foi a que menos me cativou, ainda que seja muito bem escrita. Acredito que seja pelo fato de que ainda não havia lido nenhum outro livro da autora além das tramas que envolvem familiares do passado, intercalando com o presente dos protagonistas. Apesar de falar do passado aqui também nesse livro, ele não é uma ficção histórica, mas um romance magistralmente construído que fala sobre escolhas e o fardo dos segredos que se tornam insuportavelmente pesados quando não se tem a confiança necessária para contar ao outro que está próximo.

Depois de muitos anos, Alex está de volta a Pandora, a casa em que havia passado o verão com a sua família há muitos anos atrás, e nesse mesmo lugar, tantas coisas haviam acontecido que o fizeram voltar ao passado após encontrar o seu diário na prateleira da casa. Imerso pelas lembranças, ele retorna no tempo enquanto começa a ler tudo o que havia escrito dez anos antes.

Helena havia herdado a casa Pandora desde que o seu padrinho morrera e ela resolveu que passaria algum tempo com a sua família lá, mas antes iria com Alex, seu filho mais velho e a do meio, a pequena Immy para organizar a casa. Apesar de ser tímido, Alex é uma criança extremamente inteligente, sendo superdotado, e com toda a perspicácia observa os seus familiares. Ele não sabe quem é o seu pai, e tudo o que deseja é saber quem ele é. Helena estava em outro relacionamento com William e tinha dois filhos com ele, mas mantinha segredo em relação a identidade do pai de Alex. Porém, a viagem até Pandora não será algo comum: Helena reencontra Alexis, o seu primeiro amor, e aos poucos eles recomeçam uma amizade, já que havia anos que não se viam. Porém, nada será como Helena imaginou, pois além de receber sua melhor amiga, sua enteada Chloe, ela também terá que receber os Chandlers, uma família que ela não lida muito bem. Em meio a tanta coisa para organizar, o passado vindo a tona e nada saindo como o planejado, como poderá Helena lidar com tudo o que está prestes a acontecer?

O Segredo de Helena foi um retorno aos livros de Lucinda, depois de tanto tempo sem ler as obras da autora. Com uma narrativa que intercala a primeira pessoa através do diário de Alex com a terceira pessoa em relação aos acontecimentos em Pandora, temos duas visões bem interessantes da história, considerando que os comentários de Alex são muito perspicazes e ao ler as anotações dele, eu gostava cada vez mais do livro.

Em relação aos personagens, é difícil descrever cada um deles, mas são bem construídos e todos têm um papel fundamental nesse livro. A autora adaptou bem a linguagem infantil para as crianças e é impossível não sorrir quando elas aparecem. Helena é uma personagem forte, que lutou muito para conquistar tudo o que tem, e ir para a casa Pandora foi "abrir a caixa" do seu passado e reencontrá-lo sem saber o que fazer a partir daqueles momentos.

O Segredo de Helena é o livro que indico para aqueles que gostam de um bom romance acompanhado de alguns mistérios em meio à trama. Fui surpreendida pela leitura e mesmo não sendo o melhor livro que li da autora, vale a pena conhecer pelo fato de ter uma narrativa cativante e fazer com que possamos refletir sobre os nossos relacionamentos, caminhos e segredos. Afinal, a felicidade também é uma consequência das nossas escolhas.


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