Planeta

Resenha: Garota em Pedaços

09 abril

Título: Garota em pedaços
Autora: Kathleen Glasgow
Editora: Planeta
Páginas: 320
Ano:2017

Eu tenho buscado cada vez mais livros que me tirem da minha zona de conforto literária e por vezes, tenho procurado na literatura jovem adulta temas polêmicos e que levam a reflexão. Movida por esse instinto comecei a ler "Garota em Pedaços" da autora Kathleen Glasgow e acabei tendo dificuldade para me conectar a história, primeiro, pelo fato mais óbvio, é uma leitura feita para incomodar e não é fácil lidar com livros assim e segundo, porque a história dos personagens escapavam totalmente do contexto que estou habituada a lidar.

A protagonista, Charllote ou simplesmente Charlie, é uma garota com dezessete anos que já passou por situações dolorosas. Sua vida nunca foi fácil e a falta de uma estrutura familiar adequada deixou-a fragilizada e levou-a tomar decisões muito ruins. Quando percebeu já estava com grandes traumas e se auto-mutilando. Tudo começa com Charlie em uma clínica de recuperação para jovens, local onde se sente segura após todas as dores que passou, apesar de evitar falar durante o período que passa na clínica ela ainda tem uma melhora no seu quadro, porém logo se ver obrigada a encarar a vida real novamente e ajudada por um amigo ela muda de estado e tenta recomeçar a sua vida.

Sem a ajuda adequada, ela logo se vê afundando novamente e confrontando velhos hábitos. Sua fragilidade e as marcas causadas pela auto-mutilação levam-a procurar um lugar seguro em um relacionamento com outra pessoa que também se encontra em uma situação similar. Um relacionamento destrutivo para as duas partes, porém os dois estão perdidos e encontrar o caminho de volta se torna cada dia mais difícil. Após a dor da perda da melhor amiga, morar na rua e de ser explorada sexualmente, a clínica e a mudança de cidade, uma parte de consciência desperta dentro de Chalie, mas a dor do passado e fato de estar sozinha nessa luta confrontam-a, deixando-a suscetível a escolher os caminhos mais obscuros. Através da arte ela encontra uma espécie de conforto, mas logo deixa de lado esse processo e se afunda cada vez mais nesse relacionamento tóxico.

O tema do livro é bem relevante, todos os questionamentos, dúvidas da protagonista são duros e difíceis de serem processados. A autora expõe de forma real as dores de Charlie e suas escolhas, por isso achei o livro difícil de ser digerido, mas isso não tira o peso da importância de um livro como esse. Não recomendaria para alguém que passa por situações similares, mas para pessoas próximas a ela, acredito que seria de grande valia essa leitura. Se reerguer não é um processo fácil, principalmente em uma sociedade com tantos problemas socioeconômicos quanto a do mundo atual, alguns fatores são de extrema relevância o processo de recuperação como ter pessoas com quem contar e ajuda especializada. Principalmente, ajuda especializada, ninguém melhor para aconselhar e guiar nesse processo árduo e longo, além claro, da intenção e vontade de parar da pessoa que passa por isso.

Finalizo, reiterando mais uma vez que essa é uma leitura que incomoda e desperta sentimentos adversos, não é para ser feita de uma única vez, é preciso parar e processar o que está acontecendo. Se conectar aos personagens é uma tarefa árdua e talvez não aconteça de fato, principalmente para quem nunca passou por nada similar. Creio que o maior valor está no alerta e na conscientização de pessoas em volta, as batalhas travadas por outras pessoas são difíceis de serem imaginadas e se colocar no lugar do próximo é algo difícil de ser feito e esse livro desperta a empatia e a vontade de ajudar pessoas como a Charlie tao subjugadas pelo mundo e muitas vezes deixadas de lado a margem da sociedade e assim elas acabam se afundando totalmente.


››

Planeta

Resenha: O que o sol faz com as flores

07 janeiro


Título: o que o sol faz com as flores
Autora: rupi kaur
Editora: Planeta
Ano: 2018
Páginas: 256

No geral sempre começo uma resenha de um determinado livro explicando como cheguei até ele e as minhas motivações para ler, mas dessa vez quero deixar alguns trechos do livro em questão, uma pequena prova do seu conteúdo e como ele é incrível.

"a ironia da solidão
é que todo mundo sente
ao mesmo tempo
-juntos"

"você não acorda um belo dia e se transforma em borboleta
-crescer é um processo"

"por que girassóis ele me pergunta
eu aponto para o campo amarelo
os girassóis adoram o sol eu digo
quando o sol sai eles se erguem
quando o sol vai embora
eles abaixam a cabeça de tristeza
é o que o sol faz com as flores
é o que você faz comigo

-o sol e suas flores"
"como me livro dessa inveja
quando vejo você se superando
irmã eu quero ter amor-próprio para saber
que suas conquistas não são meus fracassos.
-não somos rivais"

No ano passado comecei a ler livros de poesias contemporâneas e mesmo tendo iniciado nesse universo a pouco sigo me surpreendendo. É verdade que vivemos uma vasta onda de manifestações em redes sociais de textos, poemas e afins, grande parte encontramos disponível para quem queira ler, mas ainda não valorizamos o suficiente esse trabalho. A maior parte dos autores do gênero utilizam as redes sociais como recurso para expressar a arte deles e eu acho isso incrível. É uma forma de atingir uma vasta quantidade de leitores, mas ainda assim existem pessoas que acreditam que poesia não é para elas.

Em "o que o sol faz com as flores" o leitor é convidado a explorar uma coletânea de poesias divididas em cinco categorias (ou capítulos): murchar, cair, enraizar, crescer e florescer. Rupi Kaur traz a tona dores, lembranças, sentimentos, origens, crescimento, amadurecimento e tantos outros sentimentos expressos através de palavras que tomam forma de poesia e são capazes de acolher, cuidar e confortar corações que buscam um pouco de calma em meio a uma grande tempestade. É como se sentir em casa e se deparar com as mais duras verdades expostas de forma sincera e aceitá-las como forma de crescimento para então amadurecer e seguir em frente. Um trabalho belíssimo e encantador, com ilustrações cheias de expressão e força que complementam ainda mais o trabalho da autora.

Todos as poesias são escritas apenas com letras minúsculas e a única pontuação utilizada é o ponto final, a autora escreve assim para honrar suas origens já que em gurmukhi não existe distinção entre as letras e utiliza-se apenas de ponto final. O que coloca em evidência mais uma vez um dos temas que são recorrentes em sua poesia a igualdade. As poesias dão ainda mais força para o movimento de emponderamento feminino e representam o feminismo como deve ser.

As poesias de "o que o sol faz com as flores" me comoveram e envolveram ainda mais do que "outros jeitos de usar a boca" e indico a leitura para todos, a linguagem é simples o que não deixa ainda mais belo o trabalho da autora. Vale a pena conhecer.
››

Planeta

Resenha: Mil beijos de garotos

26 novembro


Título: Mil Beijos de Garotos
Autora: Tillie Colle
Editora: Planeta
Páginas: 400
Ano: 2017

Olá leitores! Hoje a resenha é do livro "Mil beijos de garotos" da Tillie Colle, enquanto eu o lia sua história me lembrou dois filmes clássicos (não vou dizer antigo)  que foram reprisados diversas vezes na sessão da tarde durante a minha infância "Meu primeiro amor" e "ABC do amor" (para ser justa, o último não tão antigo, risos), ambos trazem personagens que descobriram o amor em sua forma mais pura ainda na infância e tão cedo também sofreram de amor. Como adoro esses filmes por consequência também adorei o livro.

Poppy e Rune se conhecem ainda na infância e de uma forma inexplicável se tornam imediatamente inseparáveis. Aos oito anos, Poppy recebe de sua vó como o último desejo dela um pote que contém mil papéis cortados em forma de coração, eles devem ser preenchidos descrevendo todos os beijos que fizerem o coração de Poppy bater mais rápido a fim de eternizá-los. Poppy aceita a missão (ou aventura como ela mesma descreve) e não quer demorar a começar. É nesse momento que Rune percebe que não quer ver Poppy beijando outra pessoa e assim nasce o amor entre eles. Aos quinze anos eles se separam pela primeira vez desde que se conheceram, Rune precisa retornar ao seu país de origem junto com a família. Essa separação deixou o coração dos dois partidos e agora após dois anos separados eles se encontram novamente, mas precisam enfrentar outros obstáculos para enfim permanecerem juntos.

"Mil beijos de garotos" é um livro que aquece a alma e nos permite acreditar que o amor pode sim superar todas as distâncias e que é um sentimento inexplicável que pode chegar em qualquer idade. A história do livro pode soar um tanto melancólica, mas a sua beleza reside na força do amor dos protagonistas que vem desde a infância. Uma história que remete às histórias de amor clássicas onde o amor transcende as barreiras do que é possível explicar e é um sentimento tao forte e belo que é capaz de comover até mesmo os corações mais duros.

A escrita é delicada e cheia de sensibilidade, o livro pode ser lido rapidamente devido a forma fluida que a autora utiliza para compor seu enredo. Uma história que tinha tudo para ser triste, mas se mostra bela e confortante, seus elementos bem dosados conferem um equilíbrio a obra que enche de esperança e encanta. "Mil beijos de garotos" superou as minhas expectativas que a princípio seria apenas mais um romance voltado para o público adolescente e que muito pouco viria acrescentar algo em minhas experiencias literárias e para a minha surpresa me encantei e emocionei ao longo de suas páginas. O enredo é simplista mas ainda assim consegue alcançar seu objetivo. Fiquei muito feliz de ter tido a oportunidade de lê-lo e recomendo-o a todos que gostam de um velho e bom romance que remete aos clássicos da sessão da tarde e jamais deixam de encantar.

››

Planeta

Resenha: Outros jeitos de usar a boca

17 agosto

Título: Outros Jeitos de Usar a Boca
Autora: Rupi Kaur
Editora: Planeta
Páginas: 208
Ano: 2017

Eu não costumo ler poesias tanto quanto gostaria e raramente me arrisco em resenhar tais livros. A mágica e a essência desse gênero reside justamente em transpor as barreiras emocionais, quebrando padrões e expondo os sentimentos do autor de forma única para cada leitor. Por esse motivo, nem que eu use todas as palavras que conheço será possível colocar em uma resenha o que o autor quis passar em suas poesias. Já adianto que as impressões aqui registradas são uma forma sutil e simples de expressar o quanto gostei de um livro e recomendo a todos que tirem suas próprias conclusões.

"Outros jeitos de usar a boca" da autora Rupi Kaur é um livro que já faz um bom tempo que vem sendo muito comentado por vários meios de comunicação. Muitas pessoas o exaltam e muitas outras o criticam, nada fora do normal para um livro que está em evidência, já que é impossível agradar a todos. O que essa leitura despertou em mim provavelmente será bem diferente do que ela despertou/despertará em outros leitores, mas ainda assim acredito que pelo menos com uma poesia o leitor irá se identificar. O livro é dividido em quatro partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura. Mesmo com a divisão é possível realizar a leitura sem seguir uma ordem exata, porém quando lidas na ordem dão a impressão que se encaixam perfeitamente, como um processo de amadurecimento. As poesias se complementam, transparecem sentimentos de dor, empoderamento e encorajamento com uma linguagem simples, sensível e objetiva. Sempre acompanhadas de ilustrações de traços delicados e de grande beleza.

"quero pedir desculpa a todas as mulheres
que descrevi como bonitas
antes de dizer inteligentes ou corajosas
fico triste por ter falado como se 
algo tão simples como aquilo que nasceu com você
fosse o seu maior orgulho quando seu
espírito já despedaçou montanhas
de agora em diante vou dizer coisas como
você é forte ou você é incrível
não porque eu não te ache bonita
mas porque você é muito mais do que isso"

A autora passa em suas poesias mensagens fortes, fortalecendo ideias que já deveriam estar fixadas na mente das pessoas a muito tempo, como o amor próprio, o respeito e ideias feministas. Em grande parte as poesias são breves, mas ainda assim são um choque de realidade. Pelo que pesquisei a autora usou a poesia para ajudar mulheres que estavam passando por situações difíceis, portanto em grande parte, acredito, que ela não retrata situações vividas por ela, mas sim por mulheres que buscam consolo em suas poesias. É incrível como ao ajudar uma mulher ela está ajudando milhares pelo mundo, já que seus poemas foram traduzidos em diversos idiomas. Não pense que essa é uma leitura apenas para mulheres, ela extrapola qualquer barreira e atinge diversas pessoas, independente do gênero.

Há muito passou da hora das mulheres pararem de olhar umas para as outras como se fossem rivais. É preciso ter empatia, quebrar os esteriótipos criados pela sociedade machista e dar voz as mulheres. É preciso que muitos homens também mudem o jeito de ver as mulheres.

A Rupi Kaur ficou conhecida primeiro através do seu instagram (@rupikaur_), recomendo a todos que conseguem ler em inglês segui-la e até mesmo conhecer um pouco do trabalho dela para se decidir se quer mesmo ler o livro ou não. Vou aproveitar e deixar o site dela aqui também, para quem estiver curioso.

O livro "Outros jeitos de usar a boca" está disponível entre os livros do Kindle Unlimited, portanto se você já é assinante e estiver curioso, baixe, leia algumas poesias e se gostar continue lendo. Poderia ficar por aqui citando n motivos para que você leia, mas prefiro deixar outro poema para que pense melhor sobre fazer a leitura.

"não quero ter você
para preencher minhas partes vazias
quero ser plena sozinha
quero ser tão completa
que poderia iluminar a cidade
e só aí
quero ter você
porque nós dois juntos 
botamos fogo em tudo"



››

Planeta

Resenha: O Amor que Sinto Agora

06 agosto

Título: O Amor que Sinto Agora
Autora: Leila Ferreira
Editora: Planeta
Ano: 2018
Páginas: 256
Classificação: ✭✭✭✭✭

É difícil começar essa resenha, sem pensar em todas as surpresas que tive durante esta leitura. Eu já havia lido A Arte de Ser Leve da autora Leila Ferreira, mas ao contrário deste livro, O Amor que Sinto Agora é uma narrativa completamente diferente e tão envolvente que só consegui de fato parar de lê-lo quando o terminei. E terminei com um sorriso no rosto, concordando plenamente com o prefácio de Martha Medeiros. A obra intensa de Leila Ferreira que mistura a realidade e a ficção foi uma surpresa tão incrível e ao mesmo tempo tão tensa, que é impossível ler sem mergulhar na obra, sem sentir as dores de seus personagens.

O livro inicia-se com Ana respondendo uma carta deixada pela sua mãe após a sua morte. Assim como a personagem, Leila Ferreira só teve coragem de responder a carta que sua mãe lhe havia deixado quatro anos depois, surgindo este livro. Ana, em uma tentativa súbita de encontrar as respostas pelas quais anseia em sua vida, passa a escrever cartas para a sua mãe contando-lhe de suas dores, infância, amores e de tantas outras coisas que não teve coragem para contá-la enquanto ainda estava viva. A infância marcada pela dor de ser a única filha mulher, sendo obrigada a conviver junto dos seus irmãos com um pai violento e sofrendo pelas dores que a mãe carregava. A violência doméstica que não só a sua mãe sofreu, mas também a avó e a bisavó, encontrando uma linearidade de sofrimento do qual nenhuma das mulheres da família foram capazes de se libertar. Ana também descreve o seu cotidiano e o quanto é difícil encontrar a felicidade sabendo de todo o sofrimento que permeia a vida dos seus familiares, principalmente a da mãe, que é quem ela tenta desesperadamente fazer feliz.

Durante a leitura do livro, é impossível não se comover com a história de Ana, com o seu desejo de encontrar uma explicação para o seu sofrimento, da repetição que marca a sua história e ao mesmo tempo, a vontade de encontrar o seu final feliz em meio a tantas dificuldades. O livro alterna as cartas para a mãe com capítulos em que Ana descreve algumas situações que não foram contadas nas cartas. Narrado em primeira pessoa, a descrição e os detalhes são tão reais que é impossível não se perguntar aonde a realidade e a ficção se separam.

Ao mesmo tempo em que há tantas coisas para serem faladas desse livro, o meu único conselho é que leiam. Sim, leiam para sentir as emoções que esse livro acarreta durante a leitura, para despertar a vontade de conhecer lugares desconhecidos. Leia para não julgar, mas para compreender Ana em seu sofrimento, sua depressão, e assim como ela questionar como é a felicidade de fato e se estamos sendo quem somos de verdade ou estamos sendo moldados pelos outros que vivem ao nosso lado? Estaremos vivendo com plenitude, com o que a vida nos permite ou estaremos sendo apenas alguém que não sabe qual o nosso lugar no mundo?

O Amor que Sinto Agora foi um livro que me permitiu a não só ler, mas também compartilhar com a Ana um pouco dos medos e da solidão que existe em nossas escolhas da vida. É inegável que as cartas de Ana para a mãe são tão sinceras e também tão bem escritas que é impossível não querer descobrir o que está escrito na página seguinte. Portanto, para quem procura uma leitura com relatos autobiográficos, de uma filha com um amor profundo pela mãe, mas também em uma tentativa silenciosa e desesperadora de encontrar a si mesma, com todas as suas qualidades e fraquezas, esse é o livro que recomendo!


››

Planeta

Resenha: O Livreiro

03 agosto

Título: O Livreiro
Autor: Pedro Herz
Editora: Planeta
Ano: 2018
Páginas: 240
Classificação: ✭✭✭✭✭

Já havia algum tempo que eu não lia autobiografias e O Livreiro foi uma grata surpresa depois de tanto tempo sem ler os livros do gênero. Ao contrário das autobiografias comuns encontramos aqui a de Pedro Herz como empreendendor e livreiro, além de conhecermos melhor o início da Livraria Cultura.

A Livraria Cultura nasceu a partir da Biblioteca Circulante criada em 1947 por Eva Herz, mãe do Pedro Herz na casa em que viviam. Para ajudar o marido a manter as despesas da casa e sustentar os dois filhos pequenos, Eva comprou dez livros alemães para serem alugados para pessoas conhecidas em São Paulo, onde morava. Os livros tinham uma qualidade impecável e com o cuidado dos seus leitores foi possível circular com essas obras por um bom tempo. Com o lucro dos alugueis dos livros, Eva Herz começou a adquirir novos livros para a Biblioteca Circulante, expandindo cada vez mais o catálogo, incluindo livros nacionais e novos clientes.

Durante muitos anos, Eva Herz alugou os livros que ocupavam cada vez mais espaço em sua casa e em sua vida. A Livraria Cultura só nasceu anos depois a partir da necessidade dos clientes de comprar livros didáticos, materiais escolares para os filhos, além dos primeiros funcionários que ajudaram inicialmente. Em suas memórias Pedro Herz destaca a vida de sua família alemã pós-guerra que com um pequeno negócio de dez livros transformou o futuro de toda uma geração.

O Livreiro é um livro incrível que vale a pena ler não somente para conhecer a história da Livraria Cultura, que por si só é fantástica, mas compreender também a visão que o Pedro Herz tem sobre a literatura, o cuidado com o negócio da família, além de muitas histórias interessantes sobre o mundo literário. O livro não é uma autobiografia do Pedro contando em detalhes sua vida familiar, infância ou relacionamentos. Em alguns momentos, aparecem algumas histórias, mas todas elas ligadas a Livraria Cultura que é parte fundamental na vida do autor, visto que a Biblioteca Circulante começou a funcionar quando ele ainda era criança.

Com algumas fotos, narrativa sucinta e capítulos cheios de lembranças com boas histórias, O Livreiro é um livro que de fato merece ser lido por todos os leitores que amam a literatura e tem sonhos. Assim como todo negócio, a Livraria Cultura tem seus altos e baixos, mas quando se ama aquilo que faz e acredita nos seus sonhos,é possível conquistar o que quer com muito trabalho e perseverança. Portanto, para aqueles que procuram um bom livro que fale sobre literatura, livraria, empreendedorismo e sonhos, esse é o livro que recomendo!

››

Planeta

Resenha: A Torre Negra e outras histórias

22 março

Sinopse: Continuação memorável das fantasias de C. S. Lewis, estas seis histórias revelam mais uma vez o poder e a visão deste importante contador de histórias, um dos nomes centrais da literatura de fantasia universal. A Torre Negra é um esboço de um quarto volume que daria continuidade à aclamada série de ficção científica de Lewis conhecida como Trilogia cósmica. Uma história cativante que continua as aventuras de personagens como Dr. Elwin Ransom e MacPhee. Na trama, cinco homens se reúnem no escritório de Orfeu, na Universidade de Cambridge, para testemunhar a violação do espaço-tempo por meio do cronoscópio, um telescópio que não olha apenas para um outro mundo, mas para outras dimensões. Ao longo das narrativas, seus personagens travam debates brilhantes sobre a matéria, no tempo e no espaço. Para os fãs de Crônicas de Nárnia e da Trilogia cósmica, este é um livro imprescindível.

Viajar no tempo é possível? Sim, mas não do jeito que imaginamos até agora. E você, sabia disso?  Bom, como um engenheiro químico quase formado e amante de ciência, eu gosto muito daquele famoso ócio criativo que levou tantas mentes brilhantes a desvendar os mistérios do mundo e gosto também de ler sobre ficção científica ou qualquer história que aborde assuntos científicos. Ao ler A Torre Negra (que seria a continuação da trilogia cósmica de C.S. Lewis), eu me senti completamente extasiado porque é uma forma romancista de falar sobre assuntos científicos. Se tivéssemos mais cientistas bons em contar histórias, as pessoas entenderiam melhor certos conceitos de física, química, astronomia e outros que explicam um pouco de como nosso universo funciona. C.S. Lewis como bom contador de histórias que era e apaixonado por essa temática escreveu uma bela de uma história.
A parte ruim é que A Torre Negra é uma publicação póstuma cujo manuscrito perdeu páginas (logo, incompleta) e ficar sem saber o fim desta  história é simplesmente dilacerante. De toda forma foi uma leitura válida porque me fez querer a trilogia cósmica de Lewis, além claro de ter me proporcionado ótimos momentos reflexivos acerca de outras temáticas além do tempo.
O livro conta com outros pequenos contos como “O homem que nasceu cego”, que provoca uma certa curiosidade (afinal, você saberia explicar para alguém que nasceu cego e voltou a ver, o que é a luz?), “As terras fajutas” (um tanto intrigante), “Anjos Ministradores” que fala sobre o isolamento social), “As Formas Desconhecidas” (afinal, cabelos balançam num local sem atmosfera?) e “Depois de Dez Anos”, que é uma ótica diferente de uma história grega um tanto quanto famosa. Esse último é outro que penosamente está inacabado. Este livro foi um presente despretensioso que me foi dado, mas que se tornou altamente memorável e querido e eu recomendo muito.

››

Planeta

Resenha: Raio de Sol

29 novembro

Ficha Técnica
Autora: Kim Holden
Ano: 2016 / Páginas: 448
Editora: Outro Planeta
Avaliação: ☆☆☆☆☆
Já faz um tempo que comprei o livro “Raio de Sol” da autora Kim Holden devido aos diversos elogios com os quais me deparei na blogosfera, porém esperei um tempo para iniciar a leitura e para minha surpresa o livro superou as minhas expectativas. É uma leitura intensa e que me levou a restaurar a fé na humanidade em diversos momentos e acreditar que é possível ver o lado bom mesmo em meio a situações difíceis.
Kate é uma jovem que tem uma perspectiva diferente da vida, ela é sempre positiva, evita julgar as outras pessoas e sempre trata todos muito bem. Seu sorriso é contagiante, mas assim como todas as pessoas ela tem um passado e a sua vida nunca foi fácil, mesmo assim ela consegue contagiar a todos com o seu jeito de viver a vida, não é por acaso que o melhor amigo dela a apelidou de Raio de Sol. Kate só não acreditava que poderia se apaixonar, até o momento em que a sua vida cruza com a de Keller quando se muda para Minneapolis para cursar a faculdade.
Todos os relacionamentos apresentados no livro são bonitos, bem estruturados e mostram o valor de uma amizade pura e sincera. Todos temos demônios para enfrentar e é justamente através do apoio dos amigos e familiares que encontramos forças para enfrentá-los e isso é ressaltado a todo momento no livro. Os amigos de Kate são os melhores e mesmo com os próprios problemas ela consegue ajudá-los como no caso Clayton que enfrenta casos de homofobia a vida inteira, mas ela o defende e o apoia.
Outro ponto que sempre me agrada e que está presente também nesse livro é a presença do universo musical, Gus tem uma banda e Kate toca violino e como os dois são bem próximos a influência musical é bem forte. A ausência das letras das músicas foi um ponto que senti falta, pois acredito que a experiência seria ainda mais enriquecedora.


Esse é um livro sobre superação, esperança, amizade, amor e muitas lições de vida que vale a pena ser lido. A leitura é comovente e a escrita é cativante, apesar de ter pouco mais de quatrocentas páginas a leitura foi bem rápida e quando percebi já estava chegando ao final. Sem dúvidas foi uma ótima leitura e gostei bastante de todos os temas abordados, sentimentos apresentados e os personagens me conquistaram. Indico para todos que gostam de um bom romance.

››

Planeta

Resenha: Once Upon a Time - Uma Antologia de Contos de Fadas

19 julho

Sempre fui encantada pelo mundo dos contos de fadas por ser a primeira experiência literária que vivenciei. Lembro-me que durante a minha infância, passei muito tempo frequentando a biblioteca da minha escola só para ter a oportunidade de ler essas histórias mágicas sem ver o tempo passar. Mesmo depois de muitos anos, muitos contos se tornaram inesquecíveis e  tive a oportunidade maravilhosa de relembrá-los através dessa antologia.
Muitos contos famosos dos Irmãos Grimm compõem essa obra. Apesar de ter contos não tão populares também, ainda senti falta de alguns que li muitos anos atrás e gostaria de ter a oportunidade de ler novamente.  Contos como João e Maria, Cinderela, A Bela Adormecida, Rapunzel, Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve e alguns outros estão presentes e trazem uma narrativa um pouco diferente da forma como a conhecemos.
Dos contos que li um dos meus favoritos é Cinderela, que através dos Irmãos Grimm ganha uma nova versão, em que o pai ao voltar da viagem presenteia  a filha com um galho que ela planta no túmulo da mãe até que ele cresça e se transforme em uma bela árvore que vai conceder os seus desejos ao invés da fada madrinha. Nessa versão, a madrasta  e as irmãs são ainda mais más, mas pagam caro pela maldade que fizeram com Cinderela.
Alguns contos não são muito conhecidos e trazem histórias tão encantadoras quanto os tradicionais. O Rei Barba de Melro e Os Seis Cisnes eu ainda não conhecia e valeu a pena a leitura de cada um deles.
Um dos pontos importantes a respeito dos Irmãos Grimm é que eles escreveram os contos durante muitos anos e ao longo do tempo foram reescrevendo alguns e mudando, devido a inúmeras críticas que receberam por conta das histórias não corresponderem ao público infantil como eles falaram. Os contos ganharam versões mais "leves" e aos poucos eles se popularizaram entre leitores do mundo inteiro.
Na coletânea da Editora Planeta, foram selecionados 30 contos e ao final de cada um deles tem uma ilustração especial. É impossível falar de todos, mas todas as histórias tem a sua "mágica" e ao final do livro desejei ter mais desses contos pra ler e reviver os momentos de "Era uma Vez" até os "Felizes para sempre".
Portanto, se você gosta de contos de fadas e desejaria relembrar essas histórias maravilhosas que fizeram parte da infância de tantas pessoas, esse é o livro que indico para você!
››

Planeta

Resenha: Entre Dois Amores

21 fevereiro

Estava procurando por um livro mais adolescente e ao ler a sinopse de Entre Dois Amores, não pensei duas vezes e comecei a ler, a história é muito fofa e ler esse livro me fez relembrar também meus momentos da adolescência que é uma das melhores fases da vida.
Helô Martinez é uma garota de 16 anos, que cursa o ensino médio e tem dois grandes amores: garotos e moda. Ela sempre está apaixonada por alguém ou sempre procurando um modelo de roupa para copiar e transformar em um novo look incrível para postar em seu blog. Porém, ela está com dificuldades em português, e como o seu professor não a deixa em paz para estudar, sua mãe contrata o seu vizinho Rodolfo César que vai ensinar Helô a estudar português através da literatura, mesmo sabendo que ela detesta ler.
 Helô não aceita a ideia de sua mãe, pois para ela é um absurdo que Rodolfo, o garoto “melequento” a ensine quando na verdade ela não consegue nem se imaginar perto dele. No primeiro dia de aula, apesar de Helô demonstrar de todas as formas que não está disposta a aprender, Rodolfo se mostra indiferente às atitudes da garota, e não vai ceder tão facilmente, enquanto ela não aprender a matéria. Apesar de Helô ser contrária a ideia de estudar português, já que sua intenção é estudar moda, ela não aceita a ideia de sua mãe, mas ou é passar de ano ou ficar sem a máquina de costura...
 O livro Entre Dois Amores vem trazendo uma história super fofa que fica difícil não se identificar com alguns dos personagens. Além do César Rodolfo se mostrar um professor bem criativo, ele também estuda direito e é apaixonado pelas leis assim como o pai de Helô. A Amanda e a Marina, também vão se revelando ao longo da história. Grandes amigas, com aventuras, confusões, traições, que me transportaram para dentro do livro. A mãe da Helô também não ficou para trás, ela faz comentários muito interessantes no decorrer da história que muitas vezes me fizeram sorrir.
Apesar da história ser muito boa, e ter momentos bem divertidos, não gostei muito da Helô. Achei ela um pouco mimada e fiquei irritada com algumas atitudes dela. Mesmo que a partir das experiências, ela vai se tornando mais madura e compreendendo muitas coisas que aconteceram no passado, segredos vão se revelando, achei que isso demorou muito para acontecer. Apesar de não ter simpatizado com a Helô foi possível ver o outro lado que não havia visto: uma garota cheia de sonhos, mas também de medos.
O livro é um romance bem adolescente que tem um pouco de tudo do mundo adolescente, com personagens maravilhosos como o César Rodolfo que me conquistou desde o primeiro instante e também a questão da maturidade que ficou bem clara na maioria dos personagens da história. Então, se você procura um romance fofo, esse é a escolha certa com certeza.
››

Facebook