José Olympio

Um Rascunho Indica: O sol é para Todos

19 novembro


Olá leitores, primeiro quero pedir desculpa em nome de toda a equipe do blog Um Rascunho a Mais pela nossa ausência, estamos passando por um período de reajustes aqui no blog, por isso não estamos postando a quantidade de resenhas habitual, mas aos poucos estamos retornando a rotina e em breve teremos muitas novidades por aqui, como essa nova coluna de indicações. Aqui iremos falar dos livros de uma forma diferente do que colocamos em nossas resenhas, de forma breve e informal. Nosso objetivo é relembrar leituras que nos marcaram de forma única e quem sabe despertar o interesse de outros leitores. 

Título: O sol é para todos
Autora: Harper Lee
Editora: José Olympio
Ano: 2015
Páginas: 364

A primeira indicação é de um livro que tem um tema forte e mesmo que seu lançamento tenha sido na década de 1960 é um romance que deve ser sempre lembrado e amplamente divulgado. Harper Lee em "O sol é para todos" (To Kill a Mockingbird) retrata através do olhar sensível de uma criança o julgamento de um homem negro, acusado injustamente de ter estuprado uma mulher branca. É triste pensar que mesmo depois de tantos anos o tema se mantém atual, dói pensar que injustiças como essa continuam acontecendo devido ao preconceito racial e social. Vou listar cinco motivos para ler o Sol é para todos.

1) O livro é narrado do ponto de vista de uma criança.
As crianças nascem despidas de preconceitos e ao longo da vida a sociedade passa a inseri-los nelas, seja na escola ou na educação ministrada em casa. Scout a narradora desse livro tem um olhar sensível e uma perspectiva totalmente pura de toda a situação, o que confere uma magnitude ao livro e deixa-o ainda mais envolvente. 

2) O livro é ganhador do prêmio Pulitzer.
Não sou nenhuma especialista em prêmios da literatura e tão pouco leio apenas livros que foram premiados, mas até o momento só tive experiências boas relacionadas a livros ganhadores do prêmio Pulitzer. 

3) É um clássico com linguagem acessível.
Esse é outro aspecto que é favorecido pelo fato da narrativa ser feita da perspectiva de uma criança, a escrita é fluida e cativante. Para quem evita os clássicos por ter medo de ser uma leitura difícil, sem dúvidas irá mudar de conceito após ler "O sol é para Todos".

4) A forma como Atticus educa seus filhos é surpreendente.
Atticus é o advogado responsável por defender Tom Robinson, como já se pode imaginar ele acaba não sendo bem visto pela sociedade por aceitar essa defesa. A forma como lida com toda a situação é engrandecedora e como educa seus filhos é ainda mais incrível. A educação de Scout é além do seu tempo, ele não faz diferenciação pelo fato dela ser menina e ensina-a a ter pensamento crítico e opinião própria.

5) Personagens reais.
Não tem nada pior do que ler um livro no qual os personagens não são bem desenvolvidos, que não parecem ser reais e com diálogos superficiais. Os personagens de "O sol é para todos" são humanos, com características próximas da realidade, são conviventes em seus diálogos.

Esses são alguns dos pontos que me chamaram a atenção durante a leitura. Aqui no blog tem disponível a resenha, basta clicar aqui para acessá-la. Deixe nos comentários sua opinião, sugestões, etc., ficarei muito feliz em saber a opinião de vocês.
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José Olympio

Te conto um conto: O Papel de Parede Amarelo

26 novembro

Autora: Charlote Perkins Gilman

O feminismo tem sido um tema cada vez mais recorrente na literatura. Personagens femininas antes submissas a uma sociedade patriarcal (dominada pelo homem) passam em um cenário atual a ter voz, coragem e força para expressarem suas opiniões . Não se deixem enganar ainda tem muitos livros que tentam passar essa representatividade feminina de forma errônea só por ser um tema está em foco e que de certa forma “vende” mais, por isso é importante ter um olhar crítico e conhecer a fundo a história por trás do feminismo. Vale ressaltar que o feminismo em nenhum momento tem como objetivo a superioridade das mulheres e sim, a busca pela igualdade dos sexos. Esse é um tópico que pretendo abordar com calma posteriormente, hoje quero falar sobre um conto que se encaixa bem no feminismo.
Será que o feminismo é um tema novo na literatura? Se engana quem respondeu sim, temos diversos exemplos como Virginia Wolf, Jane Austen (diga-se de passagem uma autora que escreveu uma crítica e tanto da sociedade na época em que viveu), Alice Walker e tantas outras que fugiram totalmente do estilo literário predominante na suas respectivas épocas e criaram personagens que valem a pena serem conhecidas por todos. Hoje, irei falar um pouco sobre um conto publicado pela primeira vez em 1891, escrito pela autora estadunidense Charlotte Perkins Gilman. A autora que já fugia da regras sociais que dominavam o seu tempo, tem o conto “O papel de parede amarelo” como um dos seus escritos mais famosos. Já adianto que é uma ótima leitura.
O conto é escrito em forma de diário por uma mulher diagnosticada com uma depressão nervosa temporária. Seu marido que é médico toma a decisão de mantê-la confinada em um quarto, proibida de fazer qualquer atividade, ela começa a escrever em segredo em seu diário. Logo, ela se torna obsessiva pelo papel de parede amarelo do quarto e começa a imaginar que há mulheres presas nele.
“O papel de parede amarelo” traz um relato verídico sobre a depressão, descrita de uma forma profunda e que causa até mesmo sofrimento. O leitor sofre com a personagem, sente suas angústias, ao mesmo tempo que lê nas entrelinhas grandes críticas a sociedade dominada pelo homem e que pouco se sabia sobre a depressão.

Poucas palavras foram suficientes para descrever os distúrbios causados pelo confinamento e forma como a mulher não tinha voz perante a sociedade. Uma leitura de grande valor e que deveria ser de conhecimento de todos.
Esse conto está disponível no Kindle Unlimeted.

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José Olympio

Resenha: A cor púrpura

12 novembro


Autora: Alice Walker. Editora: José Olympio. Páginas: 336.
Eu nunca havia lido muito a respeito do livro “A cor púrpura” e nem sobre a autora dele, confesso que foi um tiro no escuro. As informações que tinha antes de realizar a leitura era que o livro havia sido premiado no Pulitzer de Literatura e que tinha um filme produzido por Steven Spielberg. Não vi o trailer e nem li a sinopse, embarquei na leitura de coração aberto e logo de cara já estava sofrendo junto com a protagonista.
“A cor púrpura” não é só mais um livro, é o livro. É uma leitura dolorosa em grande parte, sua protagonista é construída em cima de grandes dores, perdas e separações. Cellie é uma mulher negra e semi-analfabeta que mora no sul dos Estados Unidos no início do século XX. Não é necessário ser um perito em história para saber que existia uma segregação racial na região sul na primeira metade do século passado, apesar de não existir mais a escravatura, a discriminação racial era protegida por lei. Por aí, já vemos o absurdo que eram as leis naquela época e tamanha a dificuldade que era a vida em sociedade para os negros. As mulheres não tinham representatividade nenhuma, eram caladas pela voz do marido e por diversas vezes até mesmo agredidas. Mas as dificuldades da vida de Cellie vão além disso, oriunda de uma família desestruturada, abusada pelo próprio pai, separada da sua irmã a única pessoa que a ama e obrigada a se casar com um homem que nem de fato a desejava. Com todos esses percalços na vida seu único refúgio é nas cartas em que escreve para Deus.
A escrita é carregada de regionalismo e pelo fato da protagonista não ter estudado o suficiente comete diversos erros gramaticais. A princípio é difícil se acostumar com a narrativa, mas a medida que vamos conhecendo melhor a protagonista ela vai ganhando voz e se torna fácil entrar no universo dela e a partir daí a leitura flui. Não é uma leitura fácil de digerir, em alguns momentos eu tive que para a leitura e respirar um pouco e só então retomar de onde parei.
Cellie foi abusada de diversas formas, física e psicológica, ela já não confia mais em ninguém, não sente nada em viver, ela só leva a sua vida. Sua realidade começa a se transformar quando conhece Shug Avery, uma mulher totalmente diferente dela, uma cantora, independente e de opinião vai morar em sua casa para se tratar de uma doença que está enfrentando. Shug é amor da vida do marido de Cellie, mas isso pra ela não faz a menor diferença já que não sente nada pelo marido, por outro lado ela nutre uma admiração por Shug e logo uma amizade nasce entre as duas.
Esse é um livro sobre redescobertas, superação e esperança. A trajetória de Cellie, todas as suas dificuldades encontradas em seu caminho árduo e sofrido, torna-a desmotivada e sem esperança. Se reerguer e encontrar motivos para ser feliz não é um processo fácil. E aos poucos a personagem vai ganhando vida, se encontrando e vendo através de outros personagens que precisa reagir, precisa se importar com ela mesma.
Todos os personagens apresentados, principalmente as mulheres, são complexos, reais, palpáveis e bem construídos. O livro mesmo se passando no início do século passado se torna atemporal, por mostrar uma dura realidade, por incentivar o empoderamento e mostrar que as mulheres não devem se calar. Após encerrar a leitura a mensagem transmitida ao longo das páginas continua ecoando em minha mente e provavelmente seguirá por toda a minha vida. Essa é uma leitura que indico a todos, para ser feita de coração aberto e preparado para sentir a realidade de uma personagem tão machucada pela vida, que mesmo desgastada por tudo o que já viveu consegue mesmo após anos se reerguer e encontrar motivos para viver.
Esse título está disponível no Kindle Unlimeted, para quem é assinante é uma ótima oportunidade de leitura.

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José Olympio

Resenha: O sol é para todos

04 novembro


“O sol é para todos” (título original: To Kill a Mockingbird) da autora Harper Lee sem dúvidas foi umas das melhores leituras que fiz esse ano e até o momento estou me perguntando porque demorei tanto para iniciar a leitura. Um livro que é clássico da literatura americana e é considerada um leitura obrigatória nos Estados Unidos, com linguagem simples e ao mesmo tempo repleto de viés que leva ao leitor diversos questionamentos, um livro capaz de conquistar até os leitores mais exigentes.
Um dos primeiros pontos que quero abordar aqui é sobre o título brasileiro em relação ao título original, Monckingbird é um pássaro típico da região do Alabama nos EUA em uma tradução ao pé da letra seria ‘Matar um Mockingbird’. Apesar do título “O Sol é para todos” passar a mensagem de igualdade que é um dos pontos levantados na história, são tantas outras mensagens que são passadas que o título acaba não englobando tudo. Acho que a ideia da autora quando escolheu o título foi justamente levar os leitores a ler movidos pela curiosidade, além claro de fazer uma referência às brincadeiras das crianças.
O livro nos apresenta a vida de Scout uma garotinha de personalidade forte que junto ao irmão Jem e o amigo Dill vivem grandes aventuras na infância. Jem e Scout são órfãos de mãe e foram criados pelo pai, o advogado Atticus Finch, que os educava com moldes bem diferentes dos usados na época. Eles não são ricos, mas levam uma vida confortável. A vizinhança também é retratada no livro e um que ganha destaque na história é o recluso Boo Radley que mora em uma casa estranha e que as crianças apresentam um certo medo e curiosidade.
Ao longo do desenvolvimento é apresentada a rotina diária de Scout, ela é curiosa e muito impulsiva. Por vezes, acaba se envolvendo em confusões com os colegas de escola. Durante as férias ela, o irmão e o amigo aprontam muito com as mais diversas brincadeiras. Muita coisa muda quando Atticus decide defender um negro, Tom Robinson, que foi acusado de estuprar uma mulher branca, mas é inocente do crime. Scout e a família começam a sofrer com o preconceito e acusações de algumas pessoas da cidade.
O livro é narrado por Scout e a autora colocou nela muitas de suas experiências vividas na infância. Harper Lee nasceu em Monroeville, uma cidade do interior do Alabama que serviu de inspiração para criar Maycomb a cidade fictícia apresentada no livro. Assim como Scout é filha de um advogado que também defendeu negros em uma época em que isso não era bem visto pela sociedade. É sempre bom lembrar que o sul dos EUA foi uma parte do país extremamente racista no início do século XX e o livro se passa na década de 1930, portanto, a sociedade tinha uma divisão bem distinta: brancos de famílias tradicionais, brancos pobres e negros que viviam à margem da sociedade e muitas vezes não podia frequentar os mesmos lugares que os brancos.
Eu adoro ler livros que trazem a história sob a perspectiva de crianças, não porque acho que as crianças são ingênuas e sim pelo fato delas ainda não terem sido corrompidas pela sociedade em que vivem, apesar sim de terem muito dos pais e das pessoas que convivem diariamente, mas ainda estão sendo moldadas. E ter um fato tão interessante narrado do ponto de vista de uma menina que grande parte dos seus gestos não se encaixam na sociedade em que vive, é enriquecedor e deixa a história ainda mais fluida. Esse foi um dos principais pontos que me fez amar a história desse livro. Outro ponto que vale ser ressaltado é que os personagens são muito bem construídos, personagens interessantíssimos com personalidade distinta e muita presença.
O final do livro não traz respostas para muitas das perguntas levantadas, porém traz uma mensagem de esperança, uma porta aberta para as mudanças. Além de, quebrar estereótipos mostrando um outro lado da moeda de alguns personagens que eram vistos de uma forma diferente tanto para a sociedade quanto para a Scout. São tantas mensagens e tantos pontos positivos que eu poderia ficar divagando por horas ao longo da resenha, mas deixo o convite ao leitor que ainda não conhece a obra para que a leia e mergulhe nesse universo. Para os que já conhecem acredito que é uma obra que sempre vale a pena relê-la.

Enfim, o livro é repleto de camadas que vale a pena ser explorado a fundo, a escrita é fluida e a narrativa é gostosa de se acompanhar. Ainda não assisti ao filme, mas sem dúvidas irei ver em breve.
"-Ninguém precisa mostrar tudo que sabe. Não é educado. Em segundo lugar, as pessoas não gostam de quem sabe mais que eles. Incomoda. A gente não muda os outros falando direito, eles precisam querer aprender. E se não querem, o jeito é ficar calada ou falar com eles."
"Coragem é quando você sabe que está derrotado antes mesmo de começar, mas começa assim mesmo, e vai até o fim, apesar de tudo."
"Só porque fomos derrotados uma vez não é motivo para não tentarmos novamente."

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