Alfaguara

Te conto um conto: Um conto quase mínimo de Sérgio Sant’Anna

06 fevereiro


Estou completamente viciada em ler contos e tudo que se relaciona ao tema tem me instigado e motivado ir atrás. Sendo assim, acabei assinando a newsletter da Editora Alfaguara intitulada "Contém um conto" que se encontra em sua segunda temporada. Carol, afinal como funciona essa tal de newsletter? Vou explicar direitinho, newsletter nada mais é que um boletim de informativo que regular sobre um determinado assunto, logo a Editora Alfaguara se disponibilizou ao longo dos próximos três meses toda segunda-feira enviar um e-mail contendo um conto curto porém que vai trazer a tona todo o poder de um texto curto do gênero. Ambicioso? A princípio me pareceu, mas ao receber o primeiro conto fui surpreendida e me peguei impressionada. Essa também é uma ótima oportunidade para quem deseja iniciar no universo da leitura ou não tem tanto tempo para se dedicar essa atividade, os contos são bem curtos e com um Smartphone dá para ser lido até mesmo na hora do café, em uma fila, no ônibus, etc..

Sérgio Sant'Ana é um escritor brasileiro que confesso não conhecia, porém fiquei tão envolvida com o conto que narra uma viagem de carro entre duas pessoas que são cunhadas, um homem e a esposa de seu irmão. Você deve está pensando, como um tema tão simplório pode ser assim tão envolvente? Pois bem caros leitores, a viagem desses dois é descrita de uma forma tão intensa que é impossível não se encantar com a escrita do autor. Duas pessoas que a moral impede-os de ter um envolvimento que ambos desejam, levarão com eles segredos de uma viagem tão banal para o resto da vida.

O conto é bem curtinho e vale a pena reservar alguns minutinhos do dia para lê-lo, tenho certeza que não passará despercebida tamanha a qualidade do texto. Me reservo a não revelar praticamente nada sobre esse conto para vocês leitores, mas tenho certeza que se dispuserem a lê-lo se surpreenderão tanto quanto eu. 

Para assinar a newsletter clique aqui! Após esse primeiro conto estou ansiosa para ler os próximos.
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Alfaguara

Te conto um conto: O pássaro de corda e as mulheres de terça-feira

30 janeiro


Título: O pássaro de corda e as mulheres de terça-feira (presente em O elefante desaparece)
Autor: Haruki Murakami
Editora: Alfaguara
Ano: 2018
Páginas: 7 a 34

"Os ponteiros do relógio da mesa batiam compassadamente na placa de sustentação transparente e pareciam flutuar. O mundo é um brinquedo de cordas, pensei. Uma vez por dia, o pássaro de cordas aparecia e dava corda no mundo."

Finalmente li algo do Haruki Murakami, como me sentia estranha no mundo da literatura sem conhecer um dos autores orientais mais famosos. Murakami nasceu em Quioto no Japão após a Segunda Guerra Mundial e é conhecido mundialmente, suas obras já foram traduzidas para mais de cinquenta idiomas. E ao encerrar a leitura do primeiro conto que tive contato com ele a sensação que ficou é que o autor é realmente genial, a mistura de imaginação e realidade transcendem as páginas e encantam. Que leitura sensacional!

O que eu mais gosto dos contos é que de forma ágil encontramos muito do autor e podemos encantar ou desencantar muito rápido. Com isso dei início a leitura de "O elefante desaparece" e logo no primeiro conto já fiquei impressionada com a genialidade com que o autor liga elementos tão banais e corriqueiros com situações tão surreais de forma natural. A primeira vista fiquei intrigada e curiosa, em um segundo momento me encantei e me vi envolvida com a nova dimensão apresentada pelo autor.

Um telefonema misterioso no horário do almoço, um protagonista desempregado, um gato desaparecido, uma mulher misteriosa e um beco que mais parece estar situado em outra dimensão são alguns dos elementos que compõe o conto "O pássaro de corda e as mulheres de terça-feira". O protagonista do conto é um homem que perdeu o emprego recentemente, casado e que em um passado não muito distante já teve sonhos e ambições maiores, mas acabou pedindo demissão do seu emprego em um escritório de advocacia porque simplesmente não gostava do emprego. É quando está cuidando das tarefas domésticas que recebe o primeiro telefonema, uma mulher misteriosa que deseja acertar os sentimentos dos dois, ele não reconhece a voz, mas fica intrigado com tudo o que a mulher fala. Sua esposa também liga no mesmo dia lembrando-o de procurar o gato em um beco próximo a casa dos dois. Mais tarde no mesmo dia, recebe um telefonema mais uma vez da mulher misteriosa e dessa vez ela lhe dá provas que o conhece e o rumo da conversa acaba desconcertando-o e leva-o a desligar o telefone repentinamente. Após uma longa reflexão ele decide que deve ir atrás do gato. Já no beco outros acontecimentos surreais acontecem. Vou me deter a contar até esse ponto o que acontece no beco.

O conto narrado por outras pessoas não chega nem perto em relação ao que foi escrito pelo autor. Os fatos que diante de outros olhos parecem tão banais, nas palavras de Murakami transcende as barreiras do comum e transporta o seu leitor para uma nova dimensão que encanta, intriga e faz desconfiar o que é real. Uma leitura que valeu a pena e com certeza seguirei lendo ainda mais o autor.
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Alfaguara

Resenha: Munique

30 julho

Já pensou como seria se Hitler fosse morto ou deposto antes de o início da segunda guerra? Será que haveria uma guerra? No livro Munique, ficção histórica de Robert Harris, temos a narrativa do tão subestimado acordo de Munique, assinado em setembro de 1938, tratando sobre a ocupação alemã na região dos sudetos na Tchecoslováquia.

Primeiramente, gostaria de dizer que nunca fui um grande fã de história na escola por causa do padrão de jogar uma tonelada de informações para decorar de forma desinteressante. Redescobri uma maneira de aprender sobre a história por meio da ficção histórica, que te traz informações sobre fatos mas de uma forma interessante, conectada e não empurrada garganta abaixo como um bolo de farinha seca. Isso, porque a ficção histórica traz os elementos importantes da nossa história mesclados num ambiente ficcional cheio de tramas, intrigas, aventuras e dramas. Nesse contexto, Robert Harris escreve uma história de 4 dias que se passam antes e durante o acordo de Munique. A história é contada em dois frontes: acompanhando Hugh Legat, secretário do primeiro ministro inglês na Inglaterra e também acompanhando Paul Von Hartmann, terceiro secretário do Ministério do Exterior alemão. A essa altura, a Áustria já foi incorporada pela Alemanha, Mussolini já é um grande aliado de Hitler e esse ameaça invadir a Tchecoslováquia para incorporar o território dos Sudetos, dada a quantidade de alemães que vivem naquele território e que tem migrado para a Alemanha.

Após ameaças de Hitler, o primeiro ministro inglês Chamberlain se vê numa situação complicada, uma vez que as forças armadas inglesas não se encontram preparadas para uma guerra mundial. O problema é que há um acordo de apoio à França, caso a mesma entre em conflito e a França entrará em guerra contra a Alemanha caso a mesma invada a Tchecoslováquia. Na busca pela paz, Chamberlain propõe uma conferência para acertar a transferência do território requerido por Hitler, com participação de França, Inglaterra, Alemanha e Itália, de forma a manter a paz na Europa. É importante lembrar que a primeira guerra ainda é recente e os povos ainda lembram dos horrores causados.

A questão é que Hartmann secretamente participa de um grupo que quer depor Hitler e a assinatura desse acordo de paz é um entrave para o golpe que planejam. Devido aos anseios populares pela paz , o grupo acredita que a insatisfação popular pela deflagração de uma guerra apoiaria a derrubada de Hitler. Para evitar o acordo de Munique, toda uma alavanca de contatos é movida de forma a promover o reencontro de Hartmann e Legat, amigos da época da faculdade que há muito não se falam.

O livro é recheado de tensão do início ao fim, escalando rapidamente nas páginas finais. Uma experiência única que nos deixa nervosos por toda a leitura, sem uma trégua sequer. A todo momento, o medo de dar errado, de Hitler ter um surto de loucura, de Hartmann ser preso acompanham o leitor e tornam a leitura emocionante. Também a precisão na descrição dos lugares, ruas, pessoas é impressionante. Em alguns momentos me senti andando pelas ruas da Alemanha nazista. 

Como ponto negativo da minha experiência, senti falta somente de uma nota do autor ao final do livro esclarecendo quanto do texto é real e quanto é ficção, hábito frequente e agradável nos livros de Bernard Cornwell para esclarecer a história.

Recomendo demais essa obra e o gênero de ficção histórica como fonte de entreteinimento ao mesmo tempo que de conhecimento. Une o útil ao agradável e dá uma lição para as escolas sobre educação de história.

Deixe nos comentários suas impressões e opiniões, vamos falar sobre essa obra fantástica.
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