Antes de falar sobre o livro Fundação é preciso mencionar alguns dados importantes sobre a coleção que faz parte. A trilogia Fundação foi escrita no período de 1942 a 1953, é uma space opera, ou seja, uma novela que é ambientada no espaço. Ao longo da leitura é possível observar alguns elementos similares com as histórias de faroeste e as aventuras marítimas de piratas. Além disso foi inspirado no livro A história do declínio e queda do império romano (Edward Gibbon), logo não é uma história de glória e exaltação.
A trilogia ganhou o prêmio Hugo especial como a melhor série de ficção científica e fantasia de todos os tempos em 1966, superando até mesmo o Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien.  Outro fato interessante é que no ano de 1980 Isaac decidiu organizar todas as suas obras para que transcorressem em uma continuidade temporal, esse processo é conhecido como retcon (muito usado em HQs). Vários detalhes em suas histórias foram modificados tais como datas, atitudes de personagens, etc. Quase trinta anos depois do lançamento do último livro da trilogia Isaac Asimov deu continuação a sua obra escrevendo mais quatro livros sobre a fundação.
Após todas essas informações vamos falar sobre o primeiro livro da trilogia Fundação. O livro se divide em cinco partes, são elas:
Parte I: Os Psico-Historiadores
Parte II: Os enciclopedistas
Parte III: Os prefeitos
Parte IV: Os comerciantes
Parte V: Os príncipes mercadores
Cada parte se passa  em um tempo diferente e decorrem dois séculos somente no primeiro livro. A história começa por volta do ano de 12067, milhões de mundos são habitados por humanos e reinado pelo grande Império Galáctico. O psico-historiador Hari Seldon prevê a ruína desse império, que já estava em declínio e ninguém havia percebido até então. Após a queda se sucederiam mais de trinta mil anos de trevas. Era impossível impedir a queda, mas algo podia ser feito para reduzir os anos de trevas, tendo em vista isso Seldon elaborou um plano que deveria ser conduzido ao longo dos séculos pelos membros da Fundação. Convenceu então as autoridades do império o estabelecimento de um exílio para sua comunidade acadêmica a fim de que escrevessem a Enciclopédia galáctica, que iria manter viva a história do império. E assim o planeta de Terminus (o mais distante da capital do império) foi habitado pela Fundação.
A população da Fundação deveria agir as cegas, sem o conhecimento de muitas variáveis e isso era imprescindível para que o plano de Hari Seldon desse certo. O psico-historiador deixou algumas mensagens gravadas e programadas para serem exibidas após grandes crises, que mais tarde passaram a ser chamadas crises Seldon. A primeira mensagem foi exibida cinquenta anos após a habitação de Terminus, a partir desse momento pouco a pouco a enciclopédia foi ficando em segundo plano e uma nova ordem social e econômica começou a surgir.
Por ser uma comunidade composta por cientistas facilmente dominaram a energia nuclear, desenvolvendo artefatos que nem mesmo o grande império tinha disponível, enquanto os outros planetas caminham cada vez mais para as formas rudimentares de produção de energia. Através de acordos com outros mundos a Fundação se mantém estável e vai aumentando cada vez mais o seu controle ora pela fé na ciência ora pelo comercio.
É impossível iniciar a leitura sem uma expectativa prévia afinal é a maior obra do autor. Achei o livro muito bom, tem uma narrativa que prende do início ao fim. Inicialmente achei as lacunas de tempo entre uma parte e outra deixaram a leitura um pouco confusa, mas com o desenvolvimento da história vamos descobrindo aos poucos os planos de Hari Seldon assim como a população da Fundação. Eu senti falta da presença feminina no livro por ser uma obra futurista, todos os líderes e personagens que aparecem ao longo da história são do sexo masculino. Porém, não afetou o meu julgamento do livro e classificando-o com cinco estrelas.
Enfim, recomendo a leitura e indico para todos que gostam de ficção cientifica, o livro não deixa a desejar. Em breve a resenha do segundo livro!


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