Fantasia

Resenha: O Médico e o Monstro

27 janeiro


Fazer resenhas de livros clássicos e famosos é sempre um desafio, pois é necessário ter muito cuidado para não passar informações em excesso e acabar revelando mais do que se deve a respeito da história, levando em consideração que muitas pessoas já conhecem o enredo. Esse é o caso de “O médico e o monstro” (Dr. Jekyll and Mr. Hyde) do autor escocês Robert Louis Stevenson, o livro já ganhou diversas adaptações tanto para o cinema quanto para o teatro, isso sem levar em consideração as diversas menções sobre ele nos mais diversos meios. De forma indireta provavelmente a maioria das pessoas já ouviram falar ao menos uma vez sobre esse clássico. Até mesmo a sinopse desse livro é extremamente reveladora, portanto, tentarei fazer o meu melhor nessa resenha e não revelar mais do que o necessário.
Mr. Hyde é um homem misterioso, baixinho, carrancudo e com uma expressão diabólica que incomoda a todos que o olham, não há quem encontre com ele e consiga se simpatizar com suas feições. Seus modos e comportamento é totalmente questionável, ele não respeita a ninguém. Mr. Utterson é advogado e amigo do médico Dr. Jekyll e é o responsável por guardar o testamento dele e não compreende a decisão tomada pelo médico de deixar tudo o que possui para o Mr. Hyde. Na verdade ele desconfia que o Dr. Jekyll está sendo chantageado e para solucionar esse mistério decide começar uma investigação por conta própria.
Ao longo do desenvolvimento diversos horrores acontecem, até mesmo um misterioso assassinato. Utterson fica cada vez mais motivado a desmascarar Mr. Hyde e a cada vez que descobre mais a respeito do mesmo tem mais certeza que ele é a personificação do mal.
Os personagens dos livros não foram idealizados para agradar aos leitores, eles estão lá justamente para incomodar e levantar questionamentos sobre o bem e o mal que existe nas pessoas. O tema do livro é denso e muito bem construído e deve ser lido por todos, mesmo sendo classificado como clássico do horror e mistério acredito que pode agradar até mesmo aqueles que não gostam dos gêneros.

O livro é bem curtinho, não tem enrolação, os fatos se desenvolvem com agilidade e a leitura é fluida e em nenhum momento é cansativa. Não vou me delongar, pois qualquer coisa que acrescente nesta resenha estarei revelando mais que o necessário, para concluir só digo que essa é uma leitura que vale a pena ser feita.
“Eis aqui mais uma lição sobre o valor do silêncio. Estou envergonhado por ter falado demais. Vamos combinar uma coisa: nunca mais voltaremos a falar desse assunto.”
“É parte do caráter de um homem modesto aceitar seu círculo de amizades como é apresentado pelas mãos da oportunidade (...).”
“A história é um véu disfarçado de verdade, visto apenas como uma metáfora simplificada da dualidade humana.”

“Os sonhos são universais através da consciência humana, evocando as fantasias e as neuroses primitivas que definem nossa espécie peculiar.”

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Fantasia

Resenha: Elric de Melniboné - A traição ao Imperador (Livro 1)

11 janeiro


Sinopse: A história de Elric de Melniboné, o imperador albino e feiticeiro, é uma das grandes criações de fantasia moderna. Um fraco e introspectivo escravo de sua espada, Stormbringer, ele é também um herói cujas aventuras e andanças sangrentas levam-no, inevitavelmente, a intervir na guerra entre as forças da lei e do caos. Um clássico do gênero espada e feitiçaria. Neste livro, Elric enfrentará a ameaça ao império de Melniboné e transitará entre o uso da magia e seus princípios morais, que o impedem de tomar algumas decisões. Além disso, sua amada Cymoril encontra-se em perigo, e ele não medirá esforços para salvá-la.

“Elric de Melniboné - A Traição ao Imperador (Livro 1)” é um clássico da literatura de espada e feitiçaria e leitura obrigatória para quem gosta de RPG, inclusive já foi adaptado para um. Para mim só esse motivos já eram suficientes para iniciar a leitura e ainda assim me surpreendi me deparando com uma história bem elaborada e com uma linguagem simples, a leitura é fluida e pode ser feita em algumas horas.
Elric é imperador do reino de Melniboné que outrora fora colossal, todos os demais reinos os temiam, mas sobre o governo de Elric essa influência sofreu uma queda drástica. Ao contrário dos predecessores ele não é um bárbaro, ele é fisicamente debilitado e um grande estudioso, sendo assim pode se dedicar a arte de feitiçaria. Elric em nenhum momento é apresentado como um herói, ele se preocupa com o bem estar dele e em segundo plano o do povo que governa, porém ele cultiva um forte amor por Cymoril o que não chega a ser a redenção para algumas de suas ações, mas é o que o torna um pouco mais humano (não que o restante da população de Melniboné seja humana).
A história apresentada nesse primeiro volume é introdutória, o leitor toma nota do passado de glórias do reino e como Elric governa de forma distinta. O foco principal fica por conta do seu primo o príncipe Yyrkoon que acredita ser o herdeiro legítimo do trono de Melniboné e para isso não medirá esforços para alcançar seus objetivos.
Ao longo da história são apresentados objetos mágicos, batalhas, elementares, demônios, dragões, entre outros. Me senti bem confortável com o contexto em que os elementos foram inseridos na trama, tudo bem dosado e bem construído. Como já mencionei no início desta resenha este livro é um prato cheio para quem gosta de RPG e vale a pena ser lido. Os personagens não são complexos, ao meu ver eles são totalmente transparentes e a todo momento fica em evidência suas reais motivações.
Cymoril não é uma mulher forte e tão pouco independente, mas acredito que essas características que a deixa bem parecida com as princesas dos contos de fada se dá justamente pela época na qual o livro foi escrito, por isso relevei esse fato.
Não posso deixar de destacar a edição linda da Editora Generale, o livro foi produzido em capa dura, com uma folha de guarda colorida, diagramação confortável e divisões de capítulos com ilustrações de uma espada em marca d’água. O livro é impresso em papel pólen o que deixa a experiência de leitura ainda mais agradável.


Indico esse livro para as pessoas que gostam de literatura fantástica, mas não se deve esperar por um livro com um protagonista altruísta que sempre se coloca em segundo plano, o autor deixa claro ao longo do desenvolvimento que o reino de Melniboné se tornou temido devido a crueldade e a ganância de seus governadores.

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Drama

Resenha: Sete Minutos Depois da Meia-Noite

09 janeiro

Sinopse: Conor é um garoto de 13 anos e está com muitos problemas na vida. A mãe dele está muito doente, passando por tratamentos rigorosos. Os colegas da escola agem como se ele fosse invisível, exceto por Harry e seus amigos que o provocam diariamente. A avó de Conor, que não é como as outras avós, está chegando para uma longa estadia. E, além do pesadelo terrível que o faz acordar em desespero todas as noites, às 00h07 ele recebe a visita de um monstro que conta histórias sem sentido. O monstro vive na Terra há muito tempo, é grandioso e selvagem, mas Conor não teme a aparência dele. Na verdade, ele teme o que o monstro quer, uma coisa muito frágil e perigosa. O monstro quer a verdade. Baseado na ideia de Siobhan Dowd, Sete minutos depois da meia-noite é um livro em que fantasia e realidade se misturam. Ele nos fala dos sentimentos de perda, medo e solidão e também da coragem e da compaixão necessárias para ultrapassá-los.
Sabe aqueles livros que conquistam logo de cara? Pois foi isso que aconteceu comigo quando me deparei pela primeira vez com a edição da Novo Conceito de “Sete minutos depois da meia noite” do autor Patrick Ness, logo fiquei intrigada com a capa e com a premissa de uma criança ter o mesmo pesadelo todos os dias às 00:07. Confesso que não tinha muitas informações a respeito do livro, tampouco que o filme seria lançado esse mês (estou envergonhada por isso), encerrei a leitura com um sorriso de satisfação estampado no rosto.
Conor é um garoto de treze anos que enfrenta grandes problemas em vista de sua pouca idade. Seus pais são divorciados, a sua mãe passa por um tratamento rigoroso, ele ainda precisa conviver com a avó com quem nunca se deu bem, na escola é como se ele fosse invisível exceto para alguns alunos que praticam bullying contra ele e para completar todos os dias sete minutos depois da meia noite ele tem o mesmo pesadelo. Até que um dia o teixo que tem em seu quintal assume a forma de um monstro e faz um acordo com ele em troca da verdade se não irá devorá-lo. A verdade não é algo tão simples e é o que Conor mais teme.
“- Você sabe que não é verdade - disse o monstro. - Você sabe que a sua verdade, a verdade que você esconde, Conor O’Malley, é o que você mais teme.”
A princípio acreditava que o livro seria tomado em grande parte por elementos de fantasia e terror, os dois elementos reunidos em um enredo é algo que me agrada, porém estava errada, para minha surpresa o destaque maior ficou por conta do drama. Existem elementos de terror e fantasia? Sim, mas por diversas vezes esses pontos ficam em segundo plano em relação às questões da vida do protagonista, estabelecendo uma linha tênue entre o que é realidade e o que é fantasia. Na minha opinião a magia deste livro reside justamente nessa relação entre a vida de uma criança que passa por grandes turbulências e os elementos fantásticos que são apresentados ao longo da trama.
O livro levanta questões sérias como o bullying, a dor da perda, o relacionamento familiar e principalmente sobre a verdade. Tudo isso é abordado de uma forma intensa e ao mesmo tempo leve devido ao fato do narrador ser uma criança, os conflitos internos vividos por ele são bem descritos de forma delicada e sensível, o desenvolvimento da história ocorre de forma simples, porém capaz de encantar aos leitores que gostam de dramas. A trama em nenhum momento perde o seu foco principal, todos os fatos se conectam com maestria e todas as pontas ficam devidamente amarradas no final. A escrita do autor é fluida e é possível ler o livro em apenas algumas horas.
Meu objetivo com essa resenha não é entrar em pormenores em relação a trama, pois acredito que a experiência de leitura será bem mais ampla com uma quantidade menor de informações. Acredito ainda que cada leitor irá extrair uma lição diferente ao longo da leitura. Mesmo com a pouca idade do narrador, não sou capaz de delimitar uma faixa etária para a qual indicaria esse livro, recomendo para todos que estão passando por situações difíceis e até mesmo para quem está em busca de um livro diferente de drama.
Se você já leu este livro não deixe de nos contar o que achou nos comentários e se ainda não leu também deixe a sua opinião iremos adorar conhecê-la.
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