Fazer resenhas de livros clássicos e famosos é sempre um desafio, pois é necessário ter muito cuidado para não passar informações em excesso e acabar revelando mais do que se deve a respeito da história, levando em consideração que muitas pessoas já conhecem o enredo. Esse é o caso de “O médico e o monstro” (Dr. Jekyll and Mr. Hyde) do autor escocês Robert Louis Stevenson, o livro já ganhou diversas adaptações tanto para o cinema quanto para o teatro, isso sem levar em consideração as diversas menções sobre ele nos mais diversos meios. De forma indireta provavelmente a maioria das pessoas já ouviram falar ao menos uma vez sobre esse clássico. Até mesmo a sinopse desse livro é extremamente reveladora, portanto, tentarei fazer o meu melhor nessa resenha e não revelar mais do que o necessário.
Mr. Hyde é um homem misterioso, baixinho, carrancudo e com uma expressão diabólica que incomoda a todos que o olham, não há quem encontre com ele e consiga se simpatizar com suas feições. Seus modos e comportamento é totalmente questionável, ele não respeita a ninguém. Mr. Utterson é advogado e amigo do médico Dr. Jekyll e é o responsável por guardar o testamento dele e não compreende a decisão tomada pelo médico de deixar tudo o que possui para o Mr. Hyde. Na verdade ele desconfia que o Dr. Jekyll está sendo chantageado e para solucionar esse mistério decide começar uma investigação por conta própria.
Ao longo do desenvolvimento diversos horrores acontecem, até mesmo um misterioso assassinato. Utterson fica cada vez mais motivado a desmascarar Mr. Hyde e a cada vez que descobre mais a respeito do mesmo tem mais certeza que ele é a personificação do mal.
Os personagens dos livros não foram idealizados para agradar aos leitores, eles estão lá justamente para incomodar e levantar questionamentos sobre o bem e o mal que existe nas pessoas. O tema do livro é denso e muito bem construído e deve ser lido por todos, mesmo sendo classificado como clássico do horror e mistério acredito que pode agradar até mesmo aqueles que não gostam dos gêneros.
O livro é bem curtinho, não tem enrolação, os fatos se desenvolvem com agilidade e a leitura é fluida e em nenhum momento é cansativa. Não vou me delongar, pois qualquer coisa que acrescente nesta resenha estarei revelando mais que o necessário, para concluir só digo que essa é uma leitura que vale a pena ser feita.
“Eis aqui mais uma lição sobre o valor do silêncio. Estou envergonhado por ter falado demais. Vamos combinar uma coisa: nunca mais voltaremos a falar desse assunto.”
“É parte do caráter de um homem modesto aceitar seu círculo de amizades como é apresentado pelas mãos da oportunidade (...).”
“A história é um véu disfarçado de verdade, visto apenas como uma metáfora simplificada da dualidade humana.”
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